OS SINTOMAS MILITARES DA DECADÊNCIA DOS EUA SÃO EVIDENTES

Frágil, sem agilidade e de manutenção difícil, o F 35 é o programa militar mais caro da história.

As constantes provocações dos Estados Unidos contra Rússia, China e Irã podem desencadear uma guerra, que dificilmente os estadunidenses teriam condições de vencer.  

O F 35 É SINTOMA DA DECADÊNCIA DOS EUA

O equipamento militar mais vendido da atualidade é o avião de combate Lockheed Martin F-35 Lightning II. Cada unidade deste caça multifunção, termo que define um aparelho capaz de cumprir qualquer missão aérea, custa impressionantes US $204 milhões. Foi o programa de desenvolvimento de armas mais caro da história, atingindo a estratosférica soma de aproximadamente US $400 bilhões.
Apesar de apresentar uma série de falhas, ainda não sanadas – e especialistas afirmam que algumas delas jamais serão; o avião é um sucesso de venda, já atingindo mais de 600 unidades adquiridas por 15 países. Todos os compradores são forças aéreas de nações submetidas à ocupação estadunidense, onde desde a Segunda Guerra Mundial há bases militares dos Estados Unidos (Itália, Reino Unido, Noruega, Bélgica, Holanda, Japão, Espanha) ou locais para onde a dominação dos EUA avançou, após a queda da União Soviética (Polônia, Finlândia).
As vendas ocorrem mesmo após alguns compradores relatarem problemas com o aparelho e sua utilização em conflitos reais ter revelado desempenho aquém do esperado.
A Noruega, por exemplo; mesmo antes da mudança de governo, quando a esquerda assumiu o controle do país; já havia limitado a utilização do F 35, pois seus técnicos detectaram que os sistemas eletrônicos da aeronave espionaram sem autorização instalações estratégicas norueguesas. O Japão exigiu mudar vários eletrônicos embarcados e perdeu exemplares em acidentes misteriosos, provavelmente provocados por falhas técnicas. A Itália desistiu de comprar a quantidade solicitada anteriormente, porque a manutenção e a hora de voo do equipamento atingem valores estratosféricos. Ao receber suas primeiras encomendas, a Holanda promoveu a tradicional saudação mundial a novos aeroplanos, com o “batismo” com canhões de água anti-incêndios, porém a cerimônia causou sérios danos ao avião, obrigando a reparos que tiveram um custo elevado. Pelo menos um aparelho comprado pelo Reino Unido, de pouso e decolagem vertical, para utilização em seu novo porta-aviões, sofreu um acidente por deficiências no controle de aproximação. Israel evita entrar no espaço aéreo sírio, nos constantes ataques que faz contra os vizinhos, pois percebeu que o caça-bombardeiro construído para ser invisível aos radares é captado por sensores de fabricação russa, instalados na Síria, o que torna o Lightning II um alvo relativamente fácil para os já antigos mísseis S-300, desenvolvidos ainda na era soviética e lançados em 1979.
Para registro, os russos lançaram posteriormente os S-400, S-500 e testam os S-600.
Alguns países reduziram drasticamente o número de aviões encomendados, devido ao preço ou aos problemas verificados, como Itália e Espanha. A Alemanha, que também está sob ocupação das forças dos EUA e era considerado um cliente certo, recusou a oferta, mesmo sofrendo agressiva pressão dos Estados Unidos.
Mesmo assim, como um avião tão caro, que não cumpre o que promete e tem provocado acidentes técnicos com frequência, pode encontrar tantos compradores, mesmo a preços tão exorbitantes.

O MAIOR ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA
A história da indústria armamentista possui antecedentes, que podem ajudar a desvendar a pergunta.
A fabricante do F 35 é a Lockheed Martin, que nos anos 1960 e 70 (quando ainda era somente Lockheed) foi a responsável pelo maior escândalo de corrupção da história.
A empresa havia criado no início da década de 1960 um caça de superioridade aérea, o Lockheed F-104 Starfighter. O aparelho, como o F 35, foi um sucesso de vendas, sendo comprado por praticamente todos os mesmos países que estão encomendando o Lightning II.
O problema é que o F 104 era uma péssima aeronave e foi apelidado pelos pilotos alemães, um dos países que o utilizavam, como “fabricante de viúvas”, tal a quantidade de acidentes fatais provocados por erros de projeto.

O F 104 era conhecido por seus pilotos alemães como “fabricante de viúvas”, os italianos preferiam chamar o aparelho de “caixão voador”. A venda desses aviões foi viabilizada através do maior propinoduto da história.


As autoridades responsáveis pela compra sabiam que estavam adquirindo um produto ruim, inclusive porque a força aérea dos EUA, descartou o equipamento poucos meses após a sua introdução, por avaliar que suas falhas não poderiam ser solucionadas.
O mistério sobre o que convenceu os governos europeus, do Japão e da Arábia Saudita a comprarem um equipamento de péssima qualidade, pagando preços elevados para a época, começou a ser desvendado a partir de um caso extraconjugal, que envolveu a Rainha Juliana da Holanda e seu marido, o príncipe consorte Bernhard.
Por causa da vida extravagante do marido, a rainha reduziu a mesada do consorte, o que somente permitia a ele uma vida austera. Porém, o serviço secreto da Holanda percebeu que o príncipe estava organizando festas nababescas em Mônaco, Paris, Londres, Roma e em castelos por toda a Europa. A mesada de Bernhard era incompatível com os gastos necessários para essas festas.
Após investigar, as autoridades holandesas descobriram que o príncipe havia recebido fortunas da Lockheed, para ajudar no lobby destinado a convencer a força aérea e parlamentares do país a optar pelo trambolho aéreo.
Obviamente foi um escândalo, que chamou a atenção de toda a Europa Ocidental e dos outros compradores do aparelho. Não demorou para a descoberta de um gigantesco propinoduto em escala mundial, articulado pela Lockheed, destinado a irrigar os bolsos de autoridades e militares em vários países, a fim de viabilizar as vendas do também chamado “caixão voador”.
Governos caíram e o crime foi levado à justiça em todos os países que foram vítimas da fraude, com exceção da Arábia Saudita. Políticos e militares europeus e japoneses foram punidos. Entretanto, os braços da justiça não puderam alcançar os criminosos nos Estados Unidos, embora houvesse provas de envolvimento de militares, funcionários públicos e executivos estadunidenses, que deveriam ser processados por corrupção ativa.

LEI PARA EVITAR A CORRUPÇÃO NOS EUA É USADA CONTRA ESTRANGEIROS
Sob alegação de proteger seus interesses geoestratégicos, os EUA promulgaram uma lei, o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), que alegadamente deveria combater a corrupção, porém na prática foi um instrumento para proteger militares, autoridades, executivos e empresas dos Estados Unidos. Desta forma o principal executivo da Lockheed renunciou, assim como seu vice, ambos recebendo milhões de “indenização” da empresa e na justiça estadunidense o caso foi encerrado. Ninguém foi punido, a Lockheed não sofreu nenhuma sanção e hoje, como Lockheed-Martin, detém os principais contratos de fornecimento do multibilionário mercado de aquisição das Forças Armadas dos Estados Unidos.
O Foreign Corrupt Practices Act ainda é a principal lei anticorrupção dos Estados Unidos, embora nunca tenha sido utilizada em situações domésticas no país. Desde o governo Bush filho o FCPA passou a ser um instrumento de ataque a governos estrangeiros e, junto com a legislação antiterrorismo, é a base para a política de sanções, com as quais os EUA tentam submeter países que não se submetem às suas diretrizes, como Venezuela, Irã, Rússia e China.

Voltando ao Lockheed Martin F-35 Lightning II, a trajetória comercial de um avião tão criticado levanta suspeitas de que os países submetidos à dominação dos Estados Unidos são vítimas de pressões semelhantes às que ocorreram no caso Lockheed F 104 Starfighter. Afinal, são as mesmas peças no tabuleiro.

COM FILOSOFIAS DIFERENTES, CHINA E RÚSSIA PODEM VENCER OS EUA
O episódio do Lockheed Martin F-35 Lightning II remete ao cenário geopolítico atual, quando esquenta a temperatura da guerra fria mantida há quase uma década pelos Estados Unidos contra Rússia, China e Irã.
Provocações feitas nas fronteiras ocidentais da Rússia, no Mar do Sul da China e no Golfo Pérsico (neste local com participação de Israel), atingem níveis perigosamente elevados. Um erro de cálculo cometido por qualquer dos atores envolvidos pode desencadear uma guerra mundial.
Não é pretensão entrar neste texto nas motivações dos Estados Unidos, que segundo a caracterização de Giovanni Arrighi é o braço armado de um império informal mundial. O outro braço é o sistema financeiro transnacional, que coordena o capitalismo global.
O foco deste artigo é avaliar as possibilidades de uma guerra como a que se desenha no ambiente mundial, tendo de um lado os Estados Unidos, pretensamente apoiados pela OTAN, Japão e Austrália, e de outro Rússia, China e Irã, principalmente.
O primeiro aspecto a ser observado é a relutância dos “aliados” dos EUA quanto à possibilidade de participar de uma guerra global contra seus principais fornecedores de energia e maiores parceiros comerciais.
Países como Portugal, Espanha, Alemanha, Itália e Noruega dificilmente seriam convencidos a participar de uma aventura onerosa e perigosa, como mais uma guerra estadunidense. Uma das medidas iniciais do novo governo da Noruega foi impedir as patrulhas da Otan no sensível extremo norte do país, sendo a guarda do seu território assumida pelos próprios noruegueses. A decisão norueguesa revela que cresce o temor, por parte de países europeus, quanto à possibilidade da provocação de uma guerra por atos agressivos dos seus aliados da Otan.
Outra questão é o poder militar dos dois blocos que se formaram no mundo. Embora o orçamento da guerra dos Estados Unidos seja maior do que os gastos militares dos 18 países, que o seguem no ranking, os especialistas consideram que os investimentos estadunidenses são mal planejados.
Há dois motivos principais. O primeiro foi o desperdício de aproximadamente quatro trilhões de dólares nas desastrosas guerras do Afeganistão e Iraque.
O outro motivo da ineficiência do investimento militar estadunidense é o poder do sistema financeiro transnacional, ou como definiu o presidente Eisenhower, “o sistema industrial-militar”. Embora tenham como meta levar o mundo inteiro a adotar seus padrões, o sistema financeiro transnacional sempre mira o lucro e em curto prazo. O critério principal é o lucro proporcionado por cada nova categoria de equipamentos, do que a eficiência militar. Para isso, os planejadores dos EUA levam mais em conta as soluções sugeridas nos laboratórios do que nos campos de batalha. Esse método gera equívocos como o F 104 ou o F 4 Phantom.
O Phantom é um bom exemplo. Os projetistas que o conceberam imaginavam que no campo de guerra moderno, os combates entre aviões não ocorreriam mais. Seriam enfrentamentos em longa distância com o uso de mísseis. A partir deste conceito, os aviões deveriam priorizar a velocidade sobre a manobrabilidade e não iriam precisar de armas de canos, como canhões e metralhadoras, bastariam mísseis.
Os estadunidenses enviaram o F 4 Phantom, construído de acordo com esta filosofia para o Vietnã, onde os aparelhos foram presa fácil para os ágeis Migs 17, 19 e 21, pilotados por aguerridos pilotos vietnamitas.
Após o desperdício de bilhões de dólares e muitas vidas, os EUA foram obrigados a projetar às pressas toda uma nova classe de equipamentos.
Segundo o especialista em temas militares Robinson Farinazzo, ex-oficial brasileiro de tanques de combate, “o equipamento russo, em comparação ao ocidental, tem uma filosofia diferente”, são produtos “convenientes, de baixo custo e práticos, sem importar a parte estética”. E prossegue Farinazzo, “os russos já tinham um parque tecnológico ‘fora de série’, e a “a reestruturação que o Putin faz da Rússia a partir de 2000 […] é investindo efetivamente [na reestruturação]”.
O especialista também referiu que tanto a Rússia quanto a China conseguem tirar o máximo do rendimento de um orçamento mais enxuto, além de disputarem conflitos de uma forma inteligente, enquanto os EUA seguiram desperdiçando dinheiro em combates perdidos: “a sabedoria da Rússia e da China está em saber focar nos objetivos. Eu vejo os EUA hoje com uma gama de objetivos muito ampla, mas não sei se eles terão recursos e dinheiro para isso”.

Além disso, China, Rússia e, principalmente o Irã, se concentram, em termos militares, no entorno de suas fronteiras, enquanto os Estados Unidos pretendem ser uma presença bélica global.
Com esta filosofia meio Bauhaus, de que a função determina a forma, russos e chineses modernizaram seus arsenais. Os chineses desenvolveram uma nova geração de mísseis hipersônicos, enquanto a Rússia sempre teve tecnologias no estado da arte.
Desta forma, uma guerra entre os EUA e Rússia, China ou mesmo Irã, não será o passeio que ocorreu no primitivo Afeganistão ou no Iraque, totalmente dependente de tecnologia ocidental. 

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