Momentos históricos exigem decisões históricas

É preciso derrotar o bolsonarismo e deter os planos de Moro, ou gerações de brasileiros serão penalizadas.

O crescimento da violência policial é sintoma do golpe de 2016, do lavajatismo e da ascensão do bolsonarismo. Se esta escalada não for detida em 2022, gerações de brasileiros serão penalizados.

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) viralizou na internet por dois episódios violentos, que ocorreram com poucos dias de distância um do outro. O primeiro foi o massacre que ocorreu em Varginha, onde uma suposta quadrilha de “cangaceiros modernos”, como os grupos de assaltantes de bancos foram batizados pelos veículos de comunicação de massa, controlados pelos agiotas do sistema financeiro ou os coronéis das oligarquias brasileiras. O outro foi a agressão violenta contra uma mulher, acompanhada por dois filhos, que incluiu o joelho no pescoço, que matou George Floyd.

Ambos os episódios se caracterizaram por um excesso de violência dos policiais. No caso de Varginha é difícil explicar a morte de todos os “cangaceiros”, sem que nenhum policial tenha sido ao menos ferido na aparentemente intensa troca de tiros, sendo que a cena em que ocorreu a ação foi deliberadamente alterada, o que torna praticamente impossível a perícia do local.

Os fatos que viralizaram, envolvendo a polícia mineira são apenas uma pequena ponta de um imenso iceberg. No Brasil inteiro as polícias militares e, também, a rodoviária federal estão praticando um nível assustador de violência, sempre com impunidade. A liberdade para bater e matar dos policiais fica ainda mais evidente, quando é comparada com a condenação de oito dos 12 militares do exército, que participaram do fuzilamento do músico Evaldo Rosa e do catador de latinhas Luciano Macedo, em 2019. Os soldados das Forças Armadas foram condenados pela justiça militar a quase 30 anos de prisão, pelo duplo homicídio.

A condenação dos militares do exército foi um ponto fora da curva, pois o padrão no Brasil é a extrema violência policial, que na maior parte das vezes é desconhecida, porque atinge os invisíveis das periferias, minorias ou do imenso interior do país.

O golpe de 2016 foi um demarcador do aumento da violência policial, que já pode ser sentida nas ruas de Belo Horizonte ou no interior do estado, quando já em 2016 policiais agrediram manifestantes em frente à portaria da UFMG ou atacaram comunidades em assentamentos, indo contra as ordens do então governador Fernando Pimentel.

O fato indica que a maioria dos governadores não têm o controle das polícias militares dos seus estados e isso foi demonstrado nos motins que ocorreram em estados do Nordeste, com destaque para o Ceará, onde o Senador Cid Gomes foi alvejado por um tiro no peito.

A violência policial é uma faceta perigosa da desorganização do país, iniciada com o golpe de 2016 e que foi exacerbada após o bolsonarismo assumir o poder. Bolsonaro, que representa uma aliança entre o gangsterismo miliciano, grupos nazifascistas e militares saudosos da ditadura simboliza uma espécie de carta de corso (documento que os reis concediam a quadrilhas de criminosos ou piratas, para autorizar roubos e assassinatos a serviço das coroas), que libera a violência e as execuções.  

O Brasil, depois do golpe de 2016 passou a acumular os mais graves problemas, sendo a violência policial um deles. Com o Bolsonarismo, tudo ficou pior.

Portanto livrar o país desta aliança nefasta, comandada por Bolsonaro, é o objetivo número um do atual momento histórico.

Vitória de Lula não será fácil

Não será fácil atingir este objetivo, pois o bolsonarismo atua para o núcleo de poder do dinheiro. Como André Esteves, o agiota que comanda o BTG Pactual, deixa claro, não importa que esteja no poder, desde que trabalhe para o sistema financeiro. De acordo com o agiota, o melhor é Bolsonaro, pois ele segue sem contestar as orientações do dinheiro e poderá ser eleito, “se ficar calado”.

Se Bolsonaro se revelar inviável, o que não parece provável, pela persistência de uma base que o coloca no segundo turno das eleições presidenciais, a agiotagem tem outra carta na manga: Sérgio Moro, que definitivamente voltou ao jogo eleitoral. Moro tem o apoio de militares influentes nas Forças Armadas, como Sérgio Etchegoyen, e Carlos Alberto dos Santos Cruz, considerado um herói nas casernas. O juiz ladrão também conta com o apoio do deep state dos EUA, com quem estabeleceu relações próximas desde antes da Lavajato, e pode atrair o apoio do dinheiro grosso.

As pesquisas apontam uma vantagem confortável de Lula, porém forças tectônicas provavelmente já estão em movimento, para assegurar suas alternativas preferidas. Os dados de pesquisas são fundamentais e já indicavam a força de Lula, desde os levantamentos feitos durante as últimas eleições municipais. Porém, a experiencia brasileira ou mundial prova que não é difícil, para quem tem os meios, a manipulação do eleitorado.

Em 1982, a Grã-Bretanha estava em chamas, com protestos contra Margaret Thatcher e a “dama de ferro” estava enferrujando, prestes a ser removida do poder. Foi salva pela Guerra das Malvinas, que como efeito colateral, derrubou a ditadura militar na Argentina.

No início do processo eleitoral de 2018, Bolsonaro era um azarão ridículo, ninguém de bom senso acreditava nas suas possibilidades, até que ocorreu o suposto atentado de Juiz de Fora. Depois Haddad teve um crescimento fulminante e nos bastidores do PT a expectativa era que Pimentel perderia, mas Haddad seria eleito, até que veio a manipulação do #elenão, através de um gigantesco esquema de abuso das redes sociais.

Portanto, só há uma previsão possível para as eleições do próximo ano: será uma campanha duríssima. A vitória de Lula é possível, porém somente ocorrerá com muita dificuldade.

E a vitória de Lula é essencial para reorganizar minimamente o país. É utópico pensar em grandes avanços com um país tão massacrado, desorganizado, empobrecido, desarmado economicamente e fragmentado. Será preciso tapar os buracos no telhado, para depois pensar em reformas mais ambiciosas.

Desta forma a campanha não será apenas para eleger Lula, mas terá o objetivo de desencadear um movimento de salvação nacional, que implica na derrota de Bolsonaro e, também, no bloqueio das pretensões de Moro – que significa o deep state assumir diretamente o comando do Brasil.

Na verdadeira guerra pela salvação do Brasil, que se travará em 2022, não é possível vacilar. Uma reeleição de Bolsonaro ou a vitória de Moro representam um grau insuportável de destruição do estado brasileiro, de uma forma que penalizará várias gerações, não somente no Brasil, mas em toda a América Latina.

Será o momento decisivo da história brasileira, no qual decisões muito difíceis deverão ser tomadas, inclusive algumas que a princípio pareçam estranhas, como uma eventual aliança entre a esquerda e os liberais democráticos, como por exemplo Geraldo Alckmin, Márcio França ou outro que ajude a viabilizar a grande concertação nacional.

Impedir o bolsonarismo e Moro são objetivos que superam qualquer outro nesta quadra histórica. Conseguindo vencer essas ameaças, o Brasil pode retomar o seu caminho. Se um destes setores vencer, os brasileiros que viveram este momento serão os responsáveis pela desesperança de várias gerações.

O melhor é seguir o exemplo de Mao ou dos soviéticos, na Segunda Guerra Mundial. Mao se aliou a Chang Kai Chek, contra os japoneses e salvou a China; os soviéticos buscaram uma aliança com as potencias ocidentais e ganharam tempo para virar e vencer o nazismo.

Momentos históricos exigem decisões históricas.           

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