Canadá: longe do paraíso e perto dos Estados Unidos.

Pressões e dinheiro de obscuros interesses dos Estados Unidos, para comprar políticos do Partido Progressista Conservador, obrigaram o Canadá a fechar uma das fábricas de aviões mais avançadas do mundo, no final da década de 1960. A Avro Canadá era uma das 100 maiores empresas do mundo, onde trabalhavam 100 mil pessoas. A Embraer pode seguir o mesmo caminho.

O Canadá pretende receber até 2023 no mínimo 1,2 milhões de imigrantes. O país é o maior do mundo em extensão territorial, com 9 984 670 quilômetros quadrados, perdendo apenas para a Rússia, porém mantem pequena população, tendo pouco mais de 38 milhões de habitantes. O território possui imensas riquezas biológicas, minerais e energéticas, é o 9º maior PIB do planeta e os canadenses contam com uma das melhores qualidades de vida do planeta. O nível educacional é elevado e seus centros de pesquisa estão entre os mais avançados do mundo.

Antiga colônia do Império Britânico, o Canadá viveu um breve período de independência total, entre o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918 e até cerca de uma década após 1945, quando as potencias do Eixo foram derrotadas. A partir do início dos anos 1950, enquanto consolidavam o seu império com base na invenção da Guerra Fria, os Estados Unidos foram gradativamente enquadrando seu grande, mas pouco populoso vizinho do norte, através de um domínio crescente da economia, da defesa, o que foi viabilizado através do entreguismo do direitista Partido Conservador Progressista (seja lá o que quer dizer esta sigla).

O Partido Conservador Progressista mudou o nome e hoje atende por Partido Conservador.

Depois do México, o Canadá é o país que melhor compreende o ditado mexicano, que lamenta a posição geográfica do país: “tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos”. O México foi invadido várias vezes pelos Estados Unidos e perdeu, nestas oportunidades, mais da metade do seu território, que formam hoje grande parte do território estadunidense. O país não foi completamente anexado, pelo racismo dos congressistas e senadores dos Estados Unidos, que em sessão ocorrida antes da Guerra Civil rejeitaram transformar milhões de índios e mestiços em cidadãos estadunidenses.

Os Estados Unidos tentaram invadir o Canadá também, porém sofreram uma dura derrota para o Império Britânico, cujas tropas chegaram a invadir e incendiar Washington, em 1812. A derrota foi tão dolorosa, que inspirou o hino dos Estados Unidos e o país desistiu de anexar parte do grande vizinho do Norte até a implosão dos impérios europeus, que se seguiram às duas guerras mundiais.

Os estadunidenses voltaram à carga após assumirem o posto de superpotência, junto com a URSS. Em um primeiro momento os canadenses resistiram, de maneira semelhante à dos britânicos, que não admitiam o enfraquecimento e o ocaso do império.

O Reino Unido (RU), acabou tendo que engolir seu novo status mundial, após a tentativa de invadir o Egito, junto com tropas francesas e israelenses, para controlar o Canal de Suez, em 1956, oportunidade na qual foram obrigados a uma retirada humilhante, ordenada pelos novos donos do planeta na ocasião: Estados Unidos e Rússia.  

No Canadá, a ficha caiu no episódio do Avro Canada CF-105 Arrow, um avião de combate de concepção muito além do seu tempo e melhor do que qualquer coisa que a indústria estadunidense pensava em fazer.

O Avro Arrow, era um avião interceptador de asas delta projetado e construído pela Avro Canada, projetado para voar a velocidades superiores a duas vezes a do som e alcançar altitudes superiores a 15 mil metros. Nenhum país do mundo sequer pensava em construir algo semelhante.

Os primeiros testes de voo começaram no dia 25 de março de 1958, ainda com um fraco motor estadunidense utilizado exclusivamente para testes. Mesmo assim, o desempenho foi espetacular, superando todas as previsões. O turbojato definitivo seria o canadense Orenda Iroquois, mais leve e mais potente, que pelos experimentos realizados levaria o aparelho a se rivalizar com o Mig 25, o mais veloz avião de combate soviético. Na época, os Estados Unidos não tinham nada que se aproximasse.

Porém, enquanto a aeronave era testada, ocorreram eleições no Canadá e o Partido Progressista Liberal venceu, tendo imenso apoio financeiro de obscuras fontes estadunidenses. O dinheiro dos Estados Unidos logo revelou o que pretendia comprar. No dia 20 de fevereiro de 1959, o novo primeiro-ministro, John Diefenbaker, interrompeu não somente o desenvolvimento do Arrow e de seus avançados motores Iroquois, como também o encerramento das atividades da Avro Canada e da empresa, onde eram fabricados os aviões.

Quando foi extinta, a Avro Canadá era uma estatal, que se posicionava entre as 100 maiores empresas do mundo, onde trabalhavam mais de 50 mil pessoas e possuía uma das bases tecnológicas no estado da arte (ou seja, no nível mais elevado do mundo).

A Orenda Engines, fabricante do motor, sobreviveu. Porém, desistindo de sua divisão de P&D avançada, que chegou a produzir nos anos 1950 alguns dos aparelhos mais avançados do mundo. Hoje a fábrica se dedica a fabricar artefatos licenciados de empresas estadunidenses GE e P&W, assim como da britânica Rolls Royce.

A percepção da enorme pressão geopolítica estadunidense tem um peso considerável na constante ameaça de independência da província de Quebec, antiga colônia francesa conquistada pelo Império Britânico, nas guerras do século XVIII, que ainda tem como idioma o francês. O partido separatista quebequoi defende a criação de um país soberano de fala e tradições francesas.

Provavelmente, a intenção de pelo menos parte da inteligência da esquerda canadense, que hoje mantém o governo do país – com o primeiro-ministro Justin Trudeau (um franco-descendente), do Partido Liberal (centro esquerda), em aliança com democratas (sociais-democratas) –, o estímulo à migração é um paliativo para aliviar os ares separatistas e, também, tem a intenção de fortalecer em longo prazo o país, contra a intolerável pressão que vem do sul.      

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