BIDEN MANDOU BORIS FAZER O TRABALHO SUJO DE SE REUNIR COM BOLSONARO

Bolsonaro envergonha qualquer pessoa que se reúna com ele. Mas o gangster é importante para Washington. Assim, Biden evita se encontrar com o miliciano presidente do Brasil, para não abalar a sua imagem como “campeão do bem” e manda Boris Johnson, uma figura polêmica, para fazer o trabalho sujo.       

Boris fez o trabalho sujo, a serviço de Washington. Mesmo assim, mandou Bolsonaro tomar vacina.

O encontro do gangster que está na presidência em desperdício do Brasil (para usar uma expressão criada por Marcelo Adnet) com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, faz parte de um rearranjo da geopolítica mundial, cuja expressão mais visível foi a criação da AUKUS, um acordo militar firmado entre os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. A reunião que ocorreu em Nova Iorque, durante a viagem do miliciano à cidade, para a abertura da Assembleia Geral da ONU, foi como um pequeno agrado que se faz aos animais, quando eles se comportam.

O imperador Biden não tem condições políticas de se encontrar com a pessoa mais odiada no mundo atualmente, que é marginal que ocupa o Palácio do Planalto. Porém, o Brasil é importante para a geoestratégia imperial traçada em Washington, desta forma provavelmente acertaram a reunião com Johnson, que é um dos chefes de estado mais subservientes aos comandos dos Estados Unidos, para assumir o desgaste de se encontrar com o inimigo público número um do planeta.

O primeiro-ministro britânico é talhado para o papel, pois é uma figura polêmica, para o padrão britânico. Ele foi contra a vacinação, no início da pandemia, ironizou a letalidade da Covi19 e somente mudou de opinião, quando quase morreu ao contrair a doença. Porém, é a extrema direita do Partido Conservador do Reino Unido e faz a política em um estilo espalhafatoso, com atitudes e frases polêmicas dirigidas ao lumpesinato do seu país, que cresce a cada dia, em função de uma economia disfuncional, que atualmente, após abdicar da indústria, tem como único grande negócio os serviços bancários e financeiros. O Reino Unido provavelmente, hoje, é o maior paraíso fiscal do planeta.

Boris foi prefeito de Londres, porém era um político secundário e visto com desconfiança, inclusive dentro do seu próprio partido. Ele somente chegou ao poder, porque os conservadores tiveram uma grande cisão no processo do Brexit. Os setores mais tradicionais do partido eram contra o rompimento com a União Europeia, enquanto os grupos à direita apoiaram a separação, entre eles, Boris.

Os líderes tradicionais conservadores percebiam, juntamente com a maioria trabalhista, que a questão central; colocada no plebiscito da permanência ou não do Reino Unido como parte integrante da Europa; era se o país seria uma das três cabeças de uma entidade política, que poderia ser um dos principais atores no mundo, ou se caminharia para ser uma espécie de protetorado dos EUA – ou uma colônia moderna.

A opção pelo Brexit definiu o papel secundário do Reino Unido no mundo. O país, principalmente sob a liderança de Johnson, se comporta sem pudor como um braço mais fraco dos Estados Unidos. As situações mais evidentes são o fato de que somente as tropas britânicas permanecem na Síria, sustentando a política de desestabilização do país mantida pelos EUA; foi o único país articulado com as forças estadunidenses, na atabalhoada fuga do Afeganistão; e a participação no projeto de criação do AUKUS, o bloco racista concebido pelos Estados Unidos, no qual entram apenas nações anglófilas – Canadá e Nova Zelândia não toparam entrar neste grupo suspeito.

A AUKUS tem como objetivo ameaçar a China e livrar a geopolítica de Washington da crescente relutância dos europeus em participar as aventuras estadunidenses, muitas delas consideradas terroristas, como o constante assassinato de civis, como ocorreu nos últimos dias da presença da Otan no Afeganistão.

O acordo entre EUA, RU e Austrália também é resultado do crescente afastamento dos principais países europeus da política internacional determinada por Washington. Por exemplo, Espanha e Itália retiraram suas tropas do Iraque e do Afeganistão de maneira unilateral, por considerar que eram guerras fabricadas por motivos fúteis, mentiras e com resultados desastrosos. A Alemanha, Holanda, Bélgica e França mantiveram seu apoio ao gasoduto Nord Stream 2, para trazer gás da Rússia, o que garante a segurança energética desses países e outros no continente europeu, mesmo enfrentando violenta oposição dos Estados Unidos. A Alemanha e França avançam no projeto de criar um Exército Europeu, o que é uma ameaça à sobrevivência da Otan. A Europa insiste em manter as relações econômicas com a China e em retomar o acordo nuclear com o Irã.

Sem a Europa, os Estados Unidos precisam desesperadamente de outras alianças, para tentar manter sua hegemonia mundial. No extremo oriente, joga com antigos ressentimentos entre os países da região, para atrair o Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Índia e Filipinas para um bloco contra a China – mesmo que não considere a entrada desses países na AUKUS.

No ocidente, procura bloquear a entrada da China na América do Sul e África, assim como a ascensão de governos democráticos e populares nestes dois continentes. Com o avanço da esquerda na América Latina, o Brasil é essencial. Mesmo torcendo o nariz de nojo, os estrategistas estadunidenses consideram Bolsonaro importante para esta visão geopolítica, porque é um polo aglutinador da direita e, também, por manter o Brasil desorganizado econômica, social e politicamente.

Na visão estratégica dos principais formuladores do império informal dos EUA, uma forma de dominação é desorganizar um país, pois seu peso internacional será neutralizado e o acesso a seus recursos naturais estará assegurado.

Portanto, Bolsonaro envergonha o mundo e qualquer pessoa que se reúna com ele. Entretanto, mesmo causando asco, é importante para a geopolítica concebida por Washington. Assim, como Biden evita se encontrar com o gangster presidente do Brasil, pois isso abala a sua imagem como “campeão do bem”, manda Boris Johnson, uma figura polêmica, para fazer o trabalho sujo.       

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