DIREITA TENTA CRIAR UMA GESTAPO BRASILEIRA

As pesquisas indicam que nas eleições o gangster será derrotado. Porém para que isso ocorra é preciso garantir as eleições em 2022. Com Bolsonaro, as eleições não estarão asseguradas e, caso elas aconteçam, o Brasil poderá ser levado a um estado de tensão, capaz de provocar uma ruptura.

Como na Alemanha nazista, o policia politica de Bolsonaro vai perseguir a oposição.

Bolsonaro tenta se reposicionar após uma péssima semana para o seu governo e o projeto da aliança miliciano-fascista. Ao não conseguir provocar os tumultos projetados para o Sete de Setembro, o gangster na presidência foi obrigado a um acordo misterioso e recuou nos seus ataques ao STF. Sua aparente rendição abalou a moral de suas bases mais aguerridas, que foram para Brasília convictos de que participavam de um assalto ao poder.

As cenas dos bolsonaristas chorando de alegria e comemorando, quando surgiu a falsa notícia da decretação do estado de sítio, são patéticas. Essas imagens, assim como as que mostraram a agressividade dos mercenários das empresas de transporte do agronegócio, tentando parar na base de pedradas e a violência física os caminhoneiros que insistiam em trabalhar, são reveladoras de que houve de fato uma tentativa de golpe. O que é difícil saber é porque o plano não deu certo.

Os termos do acordo mediado por Temer também estão nas trevas do submundo da política e dificilmente virão a público. Somente as atitudes daqueles que parecem ser os principais envolvidos nos episódios, que levaram ao acordo, é que permitem alguma especulação sobre os combinados ocultos. Entre elas, algumas decisões do ministro Alexandre de Moraes, que pediu vistas do Marco Temporal, suspendendo a sua tramitação no STF; o recuo da ordem de prisão do fabricante de fakenews Oswaldo Eustáquio, foragido no México; o relaxamento do regime prisional do deputado Daniel Silveira, que passou ao semiaberto. Estas decisões foram comunicadas às lideranças da base de Bolsonaro, em uma “live” com a participação do presidente miliciano na quinta-feira, nove de setembro, ou seja, tudo indica que faziam parte do acordo.

Os sinais emitidos por Moraes provavelmente significam que o STF vai dar um tempo a Bolsonaro, evitando que algumas de suas principais bandeiras sejam derrotadas imediatamente, como é o caso do Marco Temporal. Além disso, aparentemente a corte vai aliviar, para alguns personagens simbólicas do bolsonarismo, como os dois citados anteriormente, porém cabe o registro que a prisão do Zé Trovão continua decretada e o regime prisional de Roberto Jeferson não mudou, exceto pela permissão do seu tratamento em um hospital. Também é sintomático, que outra questão que tramitava no Supremo e dependia de Moraes, o monitoramento de armas de fogo, teve decisão contraria ao interesse de Bolsonaro.

Ao que parece, o STF vai evitar a impressão de que Bolsonaro sofreu uma derrota acachapante, mas atuará com discrição, para barrar os temas mais radicais.

Outro fato revelador foi a desfaçatez do moribundo Temer, que saiu de sua câmara mortuária, para voltar surpreendentemente ao principal palco da política. O ex-presidente, que passou um longo período com receio de sair às ruas e ser vaiado, voltou a frequentar os mais caros restaurantes de São Paulo, onde foi recebido aos aplausos, como herói. O novo figurino de Temer culminou com o regabofe na mansão do suspeito especulador Naji Nahas, evento planejado estrategicamente, para o qual foram convidados jornalistas e pessoas com influência das principais redações da mídia controlada pelas oligarquias. O convescote na mesa do especulador, sem dúvida, foi planejado para repercutir com força na mídia e, até mesmo, o vazamento da “zoação” a Bolsonaro foi calculado.

Bolsonaro, por seu lado, permanece o maior período, desde que chegou à presidência, sem atacar os outros poderes e as instituições da República. No sábado seguinte ao Sete de Setembro, voltou a se comportar como de hábito e, em visita ao Rio Grande do Sul, fez uma piada homofóbica, para agredir o governador Eduardo Leite.

Entretanto, a principal movimentação do bolsonarismo ficou evidente no decorrer da semana. Na noite desta quinta-feira, dia 16, a comissão especial da Câmara dos Deputados, criada para analisar a proposta de uma nova lei antiterrorismo, aprovou o relatório do deputado Sanderson (PSL-RS), favorável ao projeto. O texto seguirá para a votação no plenário, onde os deputados vão se posicionar sobre a medida.

O projeto cria uma polícia secreta política, uma espécie de Gestapo, com o nome de Autoridade Nacional Contraterrorista. O novo órgão policial será comandado diretamente pelo presidente da República, através do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), chefiado pelo sectário ministro Augusto Heleno. Se aprovada a criação da polícia política, o órgão poderia ter acesso ilimitado a informações privadas e protegidas de qualquer cidadão e ainda fazer valer o famigerado “excludente de ilicitude”, que isenta agentes de segurança de responderem por atos violentos, tortura ou assassinato. Ou seja, o presidente teria instrumentos para perseguir, monitorar ou eliminar seus adversários.

Enquanto isso, Bolsonaro se movimenta para recuperar sua base e a popularidade que vai se esvaindo cada vez mais. Nos últimos dias anunciou um generoso plano habitacional para policiais militares e tenta colocar em prática um bolsa família, como novo nome, para chamar de seu. Como a área econômica do governo é absolutamente desastrada, não há dinheiro, para bancar essas bondades. Sem saída para superar o obstáculo da carência de recursos, Bolsonaro resolveu aumentar os impostos, descumprindo mais uma de suas promessas de campanha. Ele havia prometido reduzir impostos.

Nesta quinta-feira, 16 de setembro, Bolsonaro editou um decreto que aumenta a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em uma tentativa de obter uma arrecadação de R$ 2,14 bilhões para custear o Auxílio Brasil, o Bolsa Família com nova embalagem.

Provavelmente para ofuscar o aumento de impostos, que irá atingir duramente a classe média, o gangster na presidência iniciou uma nova série de sabotagens ao combate à COVID19. Agora ele inventa uma fakenews, alegando que é perigoso vacinar adolescentes, provocando uma nova onda de desconfiança sobre os imunizantes. Para piorar as coisas, seu tíbio ministro da saúde, Marcelo Queiroga, provou que é um ministro tão decorativo e imprestável como o General Pazuello, ao anunciar a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidade. O posicionamento de Queiroga vai contra as orientações de sua própria pasta e as da Anvisa.

Os fatos confirmam que não é possível confiar em Bolsonaro. Como seus estrategistas estrangeiros orientam, o gangster avança, testa limites, e cada recuo é a preparação para um novo ataque.

As pesquisas indicam que o Bolsonaro não continua no poder, por meio de eleições. Ele e seus apoiadores sabem disso e os indícios revelam que o bolsonarismo vai se preparando para um novo desafio à democracia.   

Portanto, é preciso remover Bolsonaro o mais rápido possível. A cada minuto que o miliciano passa na presidência, o país regride anos. As pesquisas indicam que em eleições, o gangster será derrotado, porém para que isso ocorra é preciso garantir as eleições em 2022. Com Bolsonaro, as eleições não estarão asseguradas e, caso elas aconteçam, o Brasil poderá ser levado a um estado de tensão, capaz de provocar uma ruptura.

Desta forma é urgente fortalecer nas ruas a campanha fora Bolsonaro. Para isso, é preciso ir além da esquerda e mudar o formato das manifestações. Os atos precisam ser planejados para atrair o cidadão comum, que não pensa na política no seu cotidiano. Essas pessoas podem se posicionar, mediante a formas mais atraentes de participação e de um discurso que vincule a decomposição da qualidade de vida, com a possibilidade de mudar e melhorar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s