BOLSONARO USA TÁTICA DE GUERRA. MORAES É A COLINA A SER CONQUISTADA

Bolsonaro quer afastar Moraes

A batalha de Bolsonaro neste momento é para derrubar o ministro Alexandre de Moraes do STF ou pelo menos conquistar o envio dos processos comandados por ele para a PGR.

Os militares brasileiros comprovam mais uma vez sua incompetência para a gestão. As tragédias dos ministérios da saúde e das minas e energia são dois exemplos da incapacidade dos militares. Se todos os outros órgãos do governo e empresas estatais forem investigados, será constatado que os mais de seis mil oficiais das Forças Armadas e polícias militares estão provocando um enorme dano ao Brasil.

Embora despreparados para qualquer decisão na vida real; a que existe fora do ócio dos quarteis; os militares brasileiros são adestrados em táticas de combate, mesmo que somente de forma rudimentar.

De acordo com a doutrina determinada pela Escola das Américas, os militares latino-americanos não são preparados para uma guerra convencional. O objetivo é o treinamento, para a repressão das populações dos países de origem dos cadetes do “quintal” do império estadunidense.

Mesmo assim eles aprendem que na guerra é importante a conquista de posições, pois isso contribui para dar vantagem no combate ou melhora a moral das próprias tropas.

Alguns fatos sugerem que a estratégia bolsonarista não é um golpe agora. O que eles parecem almejar é a conquista de uma posição bem definida, para mostrar força, enfraquecer os adversários e entusiasmar suas hostes.

O objetivo a ser conquistado é perfeitamente definido, como determina o pensamento militar. O estabelecimento de um objetivo claro faz com que as tropas compreendam o propósito da batalha e mirem o mesmo ponto no decorrer da batalha. Desta forma é evitada a dispersão de forças e a conquista do objetivo é facilitada.

Assim é travada uma guerra, batalha por batalha. Cada batalha com um objetivo claramente definido.

A batalha do bolsonarismo neste momento é para derrubar o ministro Alexandre de Moraes do STF ou pelo menos conquistar o envio dos processos comandados por ele para a PGR.

Os discursos de Bolsonaro são evidentes. Ele concentra a ira sobre um único juiz. Mais tarde, Hamilton Mourão, o mal acomodado vice-presidente, após primeiros pronunciamentos, que revelavam seu desconforto com as atitudes do governo, passou a defender que “a crise seria facilmente resolvida com o a transferência dos processos para a PGR”.

Enquanto isso, diferentes delegações de bolsonarista, todas representando o lúmpen ruralista procuraram entregar no senado pedidos de impeachment de Moraes. Barroso e qualquer outro ministro do STF não foram lembrados, apesar de ações duras contra o bolsonarismo, pois em termos militares são distrações.

O prédio do STF – que a massa bucha de canhão bolsonarista tentou invadir várias vezes – é a representação simbólica de Alexandre Moraes, pois o ministro está protegido e fora do alcance da violência da turba antidemocrática.

As hordas bolsonarista continuam nas ruas cobrando a cabeça do ministro. Bolsonaro simula uma tentativa de acalmar os caminhoneiros instrumentalizados pelos latifundiários ruralistas e os baderneiros em Brasília. Porém sua mensagem que circulou a partir da noite do dia oito na internet transmitia claramente seu desconforto ao dizer aquelas palavras. Era evidente a impressão de que ele foi pressionado para tentar encerrar a crise, provavelmente pela equipe econômica, preocupada com o terrível dano à economia provocado pela instabilidade.

A guerra pela democracia, que começou em 2013, é longa e o Sete de Setembro marcou o início de uma de suas batalhas.

Esta batalha específica ainda não terminou e somente vai ser encerrada com a queda de Alexandre Moraes, a transferência dos processos que envolvem Bolsonaro e o seu entorno para a PGR ou, por outro lado, o fortalecimento do STF, como uma barreira contra a extinção completa da democracia e o caos.

Os objetivos da esquerda e dos democratas, em geral, são muito mais amplos e este texto reflete apenas uma batalha, em particular, que está sendo travada neste exato momento.

Caso o bolsonarismo vença esta batalha, avançará em seu projeto autoritário, com a desmoralização da única instituição da república que resiste à sua escalada fascista e gangsterista. Desta forma, as hostes bolsonarista serão estimuladas a atitudes muito mais irresponsáveis e, com o controle maior sobre o judiciário, a mão da repressão poderá pesar com força sobre a esquerda.    

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