O relato de Fernando Horta sobre o quase golpe

Segundo o professor Fernando Horta, da UNB, relatos que chegaram a ele de fontes do STF garantem que o Brasil chegou muito perto de uma ruptura ainda no dia seis de setembro.

O golpe aconteceu em 2016, mas como tudo o que é ruim pode piorar, o gangster na presidência tenta fechar ainda mais o regime, suprimindo, além dos direitos e a qualidade de vida dos brasileiros, os últimos espaços de legalidade, liberdade e democracia.

Não é a primeira vez que o miliciano tentou fechar o regime. A demissão sumária dos comandos militares, inclusive do ministro da defesa fazem parte da lista de tentativas, assim como sua movimentação para controlar a PF, a PGR e enquadrar o STF.

Porém, a tentativa do Sete de Setembro de 2021 foi a sua maior aposta no estabelecimento de uma ditadura explicita.

O golpe dentro do golpe, planejado há meses, contando inclusive com assessoria internacional foi derrotado. Porém, o Brasil chegou muito perto de uma ruptura. Bolsonaro não atingiu seus objetivos por vários motivos: o núcleo de comando do bolsonarismo é incompetente, não possui a força popular que imagina, a maioria dos policiais militares do país teme por punições que comprometam suas carreiras, as forças armadas premidas pela conjuntura internacional preferem se manter à parte, e porque parte das instituições resistiram e contra-atacaram, principalmente o STF.

Segundo o professor Fernando Horta, da UNB, relatos que chegaram a ele de fontes do STF garantem que o Brasil chegou muito perto de uma ruptura ainda no dia seis de setembro.

O grupo de 600 pessoas que romperam as barreiras da PM do Distrito Federal na véspera do feriado, conforme Horta atuavam de acordo com táticas militares. Eram precursores, que foram sondar a resistência da PM e abrir o caminho para a invasão.

Ao saber do ocorrido e da leniência da polícia, o ministro Luiz Fux, presidente do STF passou a ligar insistentemente para o governador do DF, Ibaneis Rocha, que estranhamente havia se afastado de Brasília. Conforme o professor da UNB apurou, diversas outras pessoas, entre políticos, empresários e jornalistas da grande mídia, entre os quais Ricardo Noblat, também entraram em contato com o governador.

Percebendo que não obteriam uma ação do governador, Fux entrou em contato com o vice-governador do Distrito Federal, Paco Britto, avisando que como o titular não estava em seu posto, ele era o responsável pelo governo. Horta conta que suas fontes informaram que o presidente do STF alertou que se qualquer incidente mais grave ocorresse, Brito seria o responsável.

O professor segue o seu relato informando que, a seguir, Fux ligou para o comandante do exército, para avisar que se a situação fugisse ao controle da polícia militar, por omissão ou falta de poder de controlar os manifestantes, ele convocaria uma GLO. Na conversa de Fux com o comandante do exército, havia uma ameaça implícita: caso a convocação não fosse obedecida, ele poderia ser responsabilizado.

As conversas do presidente do STF ocorreram na madrugada do dia sete. Àquela altura o STF mantinha reunião permanente e estava informado por serviços de inteligência de confiança (já que não é possível contar com a Abin) de que os hotéis de Brasília estavam cheios, inclusive os de baixo custo, onde se hospedavam os bolsonarista organizados para o confronto, que foram para a manifestação de boinas verdes.

A atuação de Fux contou com o respaldo dos outros ministros, que segundo fontes internas contaram ao professor, “nunca esteve tão unido”.

Enquanto Fux fazia diversos contatos, em nome da instituição, Alexandre de Moraes atuava para deter figuras chave do bolsonarismo e fechar a torneira do financiamento golpista. Várias contas foram detectadas e foram bloqueadas, assim como vários PIX foram trancados, impedindo a circulação de valores. Horta informa que diversos ônibus não puderam partir para Brasília ou São Paulo, por falta de recursos e há problemas para o fechamento de contas nos hotéis de Brasília.

As ameaças surtiram efeito. Na madrugada, o vice-governador do DF assumiu o comando da operação e o comandante do exército ligou para o comandante da PM, para alertar que se fosse necessário tropas do exército entrariam em ação e que oficiais da polícia poderiam ser responsabilizados por indisciplina.

No dia seguinte, duas coisas jogaram água fria na tentativa golpista: a multidão esperada por Bolsonaro não apareceu, o que abalou o miliciano; e a polícia militar de Brasília cumpriu a sua função. A contragosto ou não, foram detidas sete tentativas de invasão do STF.

Quando Bolsonaro sobrevoou a Esplanada dos Ministério em um helicóptero do exército (o que é crime), ele percebeu que já estava derrotado.

Horta acredita que os militares envolvidos, sejam os das Forças Armadas ou da PM, no final das contas cumpriram suas funções, porque na madrugada do dia sete já percebiam que as manifestações iriam ser frustrantes, portanto, não haveria multidões para apoiar o golpe. Com isso, a temperatura do temor de punição cresceu a níveis insuportáveis.

Quando Bolsonaro chegou a São Paulo, já estava derrotado. Porém, o gangster é absolutamente despreparado, sem condições de analisar a realidade de uma maneira mais elaborada. Por isso, ele continuou fazendo suas bravatas e cometeu uma série de crimes eleitorais e de responsabilidade.

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