O QUE BOLSONARO ESPERA DO SETE DE SETEMBRO

Os governos de vários estados, o STF e a PGR atuam para desarmar o potencial explosivo dos atos bolsonarista

Bolsonaro está desesperado

Aos poucos o leque de possibilidades, para o que pode acontecer no Sete de Setembro, vai ficando mais limitado. O monitoramento dos grupos bolsonaristas indica que os apoiadores do gangster na presidência pretendem concentrar suas manifestações em São Paulo e Brasília. Foi detectado um forte esquema de convocação via ferramentas de comunicação, como WhatsApp e Telegram, ativado principalmente por policiais militares e fiéis evangélicos. As mensagens convidam este público para a viagem àquelas duas cidades, em ônibus gratuitos ou pagos com preços simbólicos.

Em um primeiro momento parecia provável que os atos em Brasília ou São Paulo tivessem a intenção de confrontar os participantes do tradicional Grito dos Excluídos, organizado pela igreja Católica, que este ano terá o apoio de outras instituições religiosas, além de partidos e organizações populares.

Porém os governos de vários estados, especialmente os de São Paulo, do Nordeste e do distrito Federal, assim como o STF e a PGR, atuaram para desarmar o potencial explosivo dos atos bolsonarista.

POLICIAIS MILITARES DIVIDIDOS

Em São Paulo, o afastamento por indisciplina do coronel Aleksander Lacerda, comandante de cinco mil policiais militares no interior do estado, foi uma dura mensagem para os apoiadores mais afoitos do presidente miliciano. Diversos governos estaduais deixaram claro que qualquer exagero pode acarretar punições severas para os policiais envolvidos, que podem chegar à prisão e exclusão.

Como as pesquisas no ambiente da segurança indicam que a maioria dos policiais militares está mais preocupada com salários, condições de trabalho e reconhecimento, é provável que as advertências possam funcionar, inclusive porque há cisões nas instituições armadas estaduais. Ou seja, as PMs não são monoliticamente bolsonarista, como comprovam depoimentos de oficiais da reserva, como o coronel Adilson Paes de Souza, ou da ativa, como o tenente-coronel Paulo José Ribeiro da Silva; ambos de São Paulo.

A mensagem enviada pelos policiais contrários a Bolsonaro é contundente. Além de defender a democracia e a legalidade, os oficiais antibolsonaristas fazem um alerta aos seus companheiros de profissão: os militares que convocam os atos contra as instituições já gozam de benefícios do governo federal, como cargos e vantagens, e vão abandonar aos que eventualmente sejam punidos por indisciplina.

CORROSÃO DAS FONTES DO FINANCIAMENTO BOLSONARISTA

Enquanto isso, o STF e a PGR (de forma inédita), exercem forte pressão contra as estruturas montadas para convocar os atos bolsonarista. Nos últimos dias da semana que antecede ao Sete de Setembro foi decretada a prisão do blogueiro bolsonarista Wellington Macedo, preso em um hotel de Brasília, quando participava da organização do ato na capital federal; além do caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, que está foragido.

A CPI da Covid e a CPMI, que atua contra as fakenews, dão suas contribuições para desarticular as milicias bolsonaristas, atuando contra as fontes de financiamento na máquina já combalida, que apoia o gangster instalado no Palácio do Planalto. Diversos sites e perfis, com bem lubrificados esquemas de monetização, foram derrubados nas últimas semanas ou tiveram os sigilos bancários dos seus responsáveis quebrados. No total, 17 perfis ou sites foram atingidos, entre eles o Terça Livre, do histriônico blogueiro Alan dos Santos; e os sites “Verdade dos Fatos”, “Movimento Avança Brasil”, “Movimento Conservador”, “Brasil de Olho”, “farsasdocovid19”, “alemanhacomentada”, “Patriotas” e “O Informante”.

Empresários que participam do financiamento da extrema direita também são alvo da ofensiva das instituições. O STF, através do ministro Alexandre de Moraes determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Luciano Hang, dono das lojas Havan, e de outros três empresários Edgard Corona, da rede de academias Smart Fit; Winston Rodrigues Lima, político; e Reynaldo Bianchi Junior, humorista e palestrante.

Essas ações, entre outras, enfraquecem Bolsonaro, pois retiram dele dois elementos essenciais para a sua existência: o dinheiro subterrâneo, para financiar a poderosa organização miliciana que o sustenta; e a capacidade de produzir e distribuir fakenews em massa.

AMEAÇAS À SUA FAMÍLIA LEVAM BOLSONARO AO DESESPERO

O mês de agosto terminou com péssimas notícias para a família Bolsonaro. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro, na investigação que apura a contratação de funcionários “fantasmas” no gabinete do parlamentar. A quebra de sigilos, que foi estendida a vários familiares ou pessoas próximas a Bolsonaro, vai completando o cerco à família miliciana.

O núcleo duro do bolsonarismo sabe que as opções estão se esgotando. Bolsonaro perde as eleições de 2022 para qualquer candidato que dispute com ele e ainda existem as possibilidades de seu afastamento do poder via um impeachment ou a cassação da chama com Mourão.

Bolsonaro e seus estrategistas estavam construindo um cenário, no qual ele lança dúvidas sobre as próximas eleições, exigindo o voto impresso, para preparar uma reação à sua derrota, no estilo Trump, com uma invasão de alguma instituição da República – o STF, o STE, o Congresso? Porém o cerco cada vez mais apertado, com a possibilidade de sua remoção antecipada do poder, obrigou o bolsonarismo a antecipar seu movimento mais arriscado.

Talvez o bolsonarismo contasse com o recuo das instituições, como já ocorreu outras vezes. Esse cálculo, até agora, não se verificou correto.

Bolsonaro mantém a convocação do ato de Sete de Setembro, porque se recuar estará irremediavelmente derrotado e a opção do impeachment estará definitivamente colocada.

As manifestações bolsonarista, no entanto, não devem ser apocalípticas como pareciam a princípio. O objetivo agora, provavelmente, será ter uma foto para mostrar ao mundo que Bolsonaro ainda conta com apoio, para, desta forma, questionar as pesquisas. É um ato desesperado de uma fera ferida e acuada, incapaz de alterar a conjuntura.

Neste ambiente, o mais plausível é que as manifestações democráticas do Grito dos Excluídos, convocados pela igreja Católica, outras instituições religiosas, partidos e organizações populares sejam realizadas com tranquilidade.

No nível de tensão provocado pelo desespero bolsonarista, não é possível prever com certeza o que pode ocorrer no dia Sete de Setembro. É provável que as fotos da Avenida Paulista e da Esplanada dos Ministérios sejam impressionantes, pois eles convocam caravanas de todo o Brasil, para esses dois locais. Essas fotos alimentarão os grupos bolsonarista, porém terão pouco ou nenhum impacto sobre a população, que está mais preocupada com a sobrevivência.

Não é razoável descartar completamente a ocorrência de algum ato tresloucado, como o do policial que ameaçou turistas e foi morto pelos seus colegas na Bahia. Uma atitude como a que aconteceu na Bahia, poderia gerar um desfecho imprevisível, caso ocorresse neste feriado da independência.

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