Desmoralização da velha mídia por limitação intelectual

Ainda me divirto muito com a indigência cultural e intelectual dos comentaristas da velha mídia brasileira.

Hoje, 17 de julho, 2021, ri muito da comentarista Lúcia Guimarães, em texto na Folha de SP. Babando de ódio e com uma faca nos dentes, a dona Lúcia destilou sua raiva contra a Rússia, em um artigo sobre a cúpula Putin-Biden. Tudo bem ela não gostar dos russos e amar os estadunidenses. São questões do coração.

Porém, a dona é comentarista de um jornal, que perde multidões de leitores a cada ano, mas ainda é dos maiores do Brasil. Assim, ela deveria ter mais cuidado com o que escreve, para não passar por mentirosa ou ignorante, coisa terrível para quem escreve para jornais.

A certa altura das suas mal pesquisadas linhas, dona Lúcia diz que a Rússia é “um petroestado controlado por oligarcas, militares e pelo crime organizado. Estima-se que 110 indivíduos sejam donos de 35% da riqueza do país”.

Se ela pesquisasse, poderia descobrir que foi uma péssima comparação, pois no primeiro semestre de 2020, os 50 estadunidenses mais ricos possuíam tanto como 50% dos mais desfavorecidos, mostra uma análise do banco central dos EUA. É bom observar que a população dos Estados Unidos é maior que a da Rússia.

Dona Lúcia, caso resolvesse trabalhar e estudar, antes de falar besteira, também iria descobrir que a concentração de renda é um cruel problema mundial. A ONG britânica Oxfam informou no seu relatório de 2020 que as 62 pessoas mais ricas do mundo têm o mesmo em riqueza que toda a metade mais pobre da população global. Só um russo aparece na lista dos mais ricos da Oxfam, no penúltimo lugar, ou na 61 posição.

Com um pouco de paciência para estudar, dona Lúcia descobriria também que o maior item de exportação da Rússia é de fato petróleo e gás, mas o país também possui uma vigorosa indústria metalúrgica, é forte exportador de alta tecnologia, domina o transporte para a órbita terrestre, tem poderosa base química e farmacêutica, e só perde para os EUA no mercado internacional de armamentos modernos.

Com alguma pesquisa, a comentarista saberia que a economia russa é controlada principalmente pelo estado. Se ela tivesse curiosidade em entender, poderia descobrir que o perfil estatal da economia russa é resultado da primeira iniciativa estratégica de Putin, logo que assumiu o poder: a guerra contra os oligarcas da máfia russa, que detinham a posse das principais empresas do país, adquiridas à força, chantagem, extorsão ou por preços irrisórios, nos momentos conturbados do fim da União Soviética.

No final do texto dona Lúcia mostra que não tem vergonha de parecer ignorante em público e diz que Putin, um estadista de classe mundial, é baixo clero, pois veio da KGB. Assim seu nível é igual ao de Boçalnaro, que também é baixo clero. Com essa afirmação, ela revela que nunca estudou a Rússia e a URSS, para entender o que foi a KGB e a sofisticação da formação de seus agentes.

Desta forma, dona Lúcia provavelmente aproveitou seu tempo em Nova York, desde 1985 para fazer turismo, portanto não trabalhou ou estudou e por isso queima o filme dos veículos da velha mídia onde trabalhou: TV Globo, TV Cultura, GNT, O Estado de SP e O Globo. Ter uma comentarista, como dona Lúcia, é mais motivo para a desmoralização dessas empresas.

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