Vivemos as crônicas de um golpe anunciado.

Só há possibilidade de derrotar o boçalnarismo com uma vitória esmagadora nas urnas, porque (como diz Luís Fernando Verissimo) se nós temos a razão, eles têm as armas. Isso pesa e vai fazer das próximas eleições as mais sangrentas da nossa história.

Será preciso ter no mínimo algo em torno de 70% dos votos, para impedir questionamentos e uma guerra civil entre uma população desarmada e o boçalnarismo armado.

E não basta vencer eleitoralmente, pois há ainda a dificílima luta contra a destruição do Brasil.

Não se esqueçam que o Brasil avançava, com base na sua imensa riqueza, para ser um dos principais players mundiais. O país, no governo Lula era a sexta economia do mundo (chegou a atingir a quinta posição).

O golpe com as digitais do Império veio para impedir o surgimento de uma nova potência mundial no quintal do império. Os objetivos foram claros, sendo o mais evidente  a intenção de arruinar a Petrobras e as empreiteiras, o que derrubou os pilares de quase metade do PIB brasileiro. Nenhum país do mundo resiste à súbita pulverização de um volume tão grande do PIB, como ocorreu no Brasil. Para consolidar o debacle, o império ainda exigiu que o país se auto impedisse de crescer por 20 anos, com a PEC do teto – que significa o suicídio do desenvolvimento do país, pois a história registra que não há crescimento sem investimento estatal.

A vitória do Império foi tão fácil no Brasil, porque aqui há uma minoria plutocrata poderosa,  colonialista, aculturada, escravocrata, pervertida, traidora do país, vira-latas e gananciosa.

Boçalnaro foi produto da guerra híbrida contra o Brasil, porém não estava nos planos. Durante o tempo de Trump, Boçalnaro era aceitável, pois eles são parecidos, embora não iguais. Trump é um nacionalista, Boçalnaro só finge que é.

O novo imperador, Biden, sente-se desconfortável com Boçalnaro. A elite da elite dos EUA, da qual Biden faz parte, é sofisticada e recorre a mitos fundamentais – como o “destino manifesto”, a “cidade sagrada no alto da colina”, “terra da liberdade e democracia”, entre outros – para justificar seu poder e sua ideologia imperial. Pega mal para esta elite apoiar um sujeito tosco, que tem um comportamento negacionista, com relação à pandemia, que destrói as florestas e despreza o conceito de democracia.

Pode ser que o Império veja com bons olhos a destituição de Boçalnaro, porém vai colocar na balança qual cenário será mais conveniente para manter o Brasil paralisado e desorganizado, fora do grande jogo das nações, como é o interesse da elite da elite estadunidense.

Em um debate recente, o deputado federal Patrus Ananias desenhou um cenário conjuntural no qual há uma necessidade premente, urgente, que é derrotar o boçalnarismo, para estancar a assustadora ascensão da barbárie, da violência e da morte; porém também existe o pano de fundo que é o neoliberalismo, esta doutrina fundamentalista selvagem e perversa, que persegue a desarticulação da solidariedade, que é o cimento das comunidades humanas, para instituir um mundo no qual todos os indivíduos lutam uns contra os outros pela sobrevivência.

A primeira onda do golpe contra a democracia no Brasil, que removeu a presidenta Dilma da presidência, foi movida pelo desejo imperial de retirar o Brasil da arena mundial, mas também pela deformação da plutocracia nacional que é aculturada pela ideologia neoliberal. O boçalnarismo aprofunda o neoliberalismo até evidenciar a barbárie deste sistema, porque essa ideologia individualista contribui para desagregar o tecido social no país. Uma sociedade desagregada, profundamente dividida e desorganizada facilita a pilhagem do Brasil pelas gangues criminosas boçalnaristas e, também, beneficia o sistema financeiro ocidental, que é o grande ganhador do saque colonial dos recursos naturais do país. 

O boçalnarismo é incompetente e sua crueldade é explícita, isso faz com que seja rejeitado mesmo por uma sociedade desagregada como é a brasileira hoje, nos quais os movimentos sociais organizam apenas uma pequena parcela da população. As pesquisas, que são o balizador científico da opinião pública, indicam que o boçalnarismo hoje mantém em torno de 25 a 30% de aprovação, sendo que seu núcleo duro não passa de 15%.

Tendo o controle do governo federal, Boçalnaro pode melhorar suas chances eleitorais e com isso é bastante provável que chegue ao segundo turno das eleições 2022.

Tudo indica, de acordo com as pesquisas, que o miliciano sofrerá uma derrota esmagadora nas próximas eleições do ano que vem. Porém, é preciso considerar que o boçalnarismo, mesmo minoritário, ainda mantém forte base social e, principalmente, polariza setores armados da população, como os membros dos falsos clubes de tiro (que são centros de treinamento de terrorismo), as milicias criminosas, os jagunços do agronegócio, traficantes de madeira e garimpeiros, as polícias e a baixa oficialidade das forças armadas. É um exército imenso, articulado em grupos de Telegram ou WhatsApp e ramificado em todo o país.

Com este cenário perigoso, não há dúvida de que as próximas eleições serão as mais sangrentas do país e uma vitória apertada não irá preservar a democracia e a  civilização no Brasil. A vitória de Boçalnaro significará a instalação da barbárie mais cruel no país. Muitos brasileiros poderão ser presos e até assassinados se ousarem resistir.

É preciso ter coragem, mas a realidade terrível não pode ser escondida. As pessoas que acreditam em dias melhores precisam compreender que o perigo é grande.

A única forma de impedir essa trágica possibilidade, que é bem real, é construir desde agora uma vitória eleitoral esmagadora sobre o boçalnarismo. A única forma de evitar um golpe armado e mostrar ao país e ao mundo que a absoluta maioria dos brasileiros rejeita o boçalnarismo. Significa buscar, desde agora uma vitória com mais de 70% dos votos.

Para eliminar as corporações armadas e afastar a barbárie explícita da política será preciso construir a mais ampla aliança política possível e fazer o trabalho de formiguinha desde agora, a fim de convencer o máximo de brasileiros que não há futuro com o boçalnarismo.

O neoliberalismo selvagem que conquistou corações e mentes com o refluxo de instrumentos de formação da esquerda? Também é um inimigo terrível. Mas já anda combalido no mundo inteiro e para derrotá-lo, antes é preciso derrotar o boçalnarismo.  

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