ZEMA DESTRÓI A OBRA DE JK E FAZ DA CEMIG UM CABIDE DE EMPREGOS

APADRINHADOS BAIXAM O NIVEL PROFISSIONAL DA CEMIG

Mesmo nos anos difíceis, quando a Cemig foi dominada pelos tucanos, Eduardo Azeredo, Aécio Neves e Antônio Anastasia – que tentaram de todas as maneiras privatizar a companhia – a prática de manter os cargos médios nas mãos de profissionais de carreira foi mantida. Zema transformou a Cemig em um cabide de empregos, para facilitar a demolição da maior empresa de eletricidade integrada da América Latina.

O governo Juscelino Kubitscheck levou Minas Gerais para o século 20, ao industrializar o estado e romper com o padrão colonial exportador de commodities. Zema trabalha para rebaixar a economia mineira ao nível colonial.

A Cemig tinha como tradição utilizar a “prata da casa”, que eram profissionais criteriosamente selecionados em difíceis concursos públicos, na sua hierarquia média de comando. Esta política contribuiu para a empresa alcançar a liderança latino-americana no setor de eletricidade.

Mesmo nos anos difíceis, quando a empresa foi dominada pelos tucanos, Eduardo Azeredo, Aécio Neves e Antônio Anastasia, que tentaram de todas as maneiras privatizar a companhia, a prática de manter os cargos médios nas mãos de profissionais de carreira foi mantida.

Zema desprezou esta prática bem sucedida, que estava fazendo o time ganhar.

Além de outras inovações ilegais (algumas beiram o crime), como foi a seleção do atual presidente, feita por uma empresa contratada por ele mesmo, a companhia está afastando os profissionais da casa dos postos intermediários de comando, para entregar seus cargos para pessoas indicadas.

Zema foi eleito com um discurso anticorrupção (como vários, que hoje são processados por corrupção), porém a prática revela que ele foi pioneiro em transformar a Cemig em um cabide de empregos.

A atitude de Zema, além de antiética, é extremamente prejudicial aos mineiros, porque além de comprometer a qualidade dos serviços, ao entregar posições chave para pessoas desqualificadas, sem preparo nem experiência; também quebra a resistência interna contra a criminosa privatização da empresa, o que aliena Minas Gerais de um dos seus maiores patrimônios.

Zema está desfazendo tudo o que JK fez. Ele governa contra os mineiros.

ZEMA NÃO HONRA A TRADIÇÃO MINEIRA

Com políticos como Zema, Minas Gerais continuaria paralisada, como nos primeiros anos do século XX.

De acordo com as pesquisadoras Maria Letícia Corrêa (UERJ) e Dilma Andrade de Paula (UFU) – no artigo Hidrelétricas e desenvolvimento no brasil: a construção da usina de Furnas em perspectiva histórica (1956-1965) –  nos primeiros anos do século XX, a classe dirigente de Minas Gerais passou a mirar na industrialização, como um caminho para a verdadeira “independência” econômica do estado, de forma a romper com a percepção de uma economia de padrão colonial presa à mineração.

O projeto do desenvolvimento mineiro foi levado à frente corajosamente por Juscelino Kubitscheck, quando assumiu o governo de Minas, em 1951. Já na campanha eleitoral Kubitscheck apontou os rumos do seu governo: com o Binômio Energia e Transporte.

Logo que o desenvolvimentismo se transformou em política estratégica não só de Minas, mas do estado brasileiro, a liderança política nacional percebeu que não poderia contar com as empresas privadas que dominavam o setor de energia no país, principalmente duas multinacionais, a Light, canadense e a American and Foreign Power Company – Amforp).

Essas empresas, que visavam exclusivamente o lucro, não se dispunham a investir nos grandes projetos de modernização, desenvolvimento e industrialização do Brasil. Se o país tivesse continuado a depender das empresas privadas, continuaria com uma economia próxima do padrão do século XIX.

Em Minas Gerais, o governador Kubitscheck rompeu a inércia e criou a Cemig.

É importante lembrar que as origens da Cemig são anteriores ao governo JK e remontam ao Plano de Eletrificação de Minas Gerais, encomendados pelo governador Milton Campos (1947- 1951) à empresa Companhia Brasileira de Engenharia (CBE).

Segundo relato de John Reginald Cotrim, que foi vice-Presidente e diretor-técnico da Cemig, presidente de Furnas e diretor técnico da Itaipu Binacional, “(antes da Cemig) se houvesse necessidade de implantação de uma grande indústria em algum lugar, não tinha quem pudesse suprir, porque era tudo pequenas companhias. A única companhia expressiva que havia era a Força e Luz de Minas Gerais do grupo Amforp, mas era encarregada, responsável, por Belo Horizonte. Lá em Belo Horizonte nós tínhamos bonde [carris], eletricidade, pouca coisa, mas ela mal dava conta de si, então não podia fazer usinas para atender grandes indústrias que quisessem se implantar em Minas ou coisa que o valha, nem criar parques industriais, nem coisa nenhuma. Então havia esse impasse, havia esse negócio. Isso havia em todos os estados, o problema era o mesmo em toda parte. Não foi tanto em São Paulo porque exatamente em São Paulo o estado era bem servido no interior, porque a Amforp estava restrita às capitais, e o interior era esse quadro, o mesmo quadro de Minas Gerais: pequenas companhias pulverizadas por toda parte. Esta é que é a verdadeira origem. A  razão de ser da origem das companhias estaduais é essa”.

Cotrim, um inglês, nascido em Manchester, não usa meias palavras: se dependesse da iniciativa privada, o Brasil estaria atrasado cerca de um século.

PIMENTEL E BORGES PLANEJARAM O FUTURO, ZEMA DESEJA O PASSADO

Foi graças à Cemig que Minas Gerais chegou a ser o segundo parque industrial do Brasil. Hoje, somente não ocupa esta posição, porque várias de suas empresas, por problemas políticos e tibieza de alguns governantes, transferiram suas sedes administrativas outros locais – como a Vale e Furnas, que mantém grande parte de sua produção no estado.

Agora Zema sugere a mudança da sede da Cemig para São Paulo, o que é uma afronta aos mineiros.

A proposta de Zema de desfazer a obra de Milton Campos e Juscelino Kubitscheck é extremamente danosa a Minas Gerais, pois significa que o estado deixará de contar com seu mais poderoso motor do desenvolvimento e da distribuição de prosperidade para todos os mineiros.

Quando Fernando Pimentel foi governador, apesar de todos os injustos ataques de lawfare que sofreu – e que a justiça está derrubando paulatinamente – seu governo lutou bravamente para manter a Cemig como patrimônio dos mineiros.

O então governador se empenhou com todas as forças, para manter o conglomerado de eletricidade, não só por ser patrimônio dos mineiros, mas também porque tinha grandes planos para o futuro do estado.

O mais ambicioso desses projetos foi concebido pelo economista Mauro Borges, quando foi presidente da empresa. Mauro planejou transformar Minas Gerais no local com maior disponibilidade de energia em toda a América Latina. Sua ideia surge a partir do fato de que a Cemig controla a maior transmissora de energia elétrica em longa distância do país, a Taesa. Junto com outras empresas controladas e participações acionárias, o grupo possui a capacidade de estabelecer pontos ótimos de eletrificação, aproveitando a malha do sistema nacional de eletricidade.

A proposta consistia em espalhar pelo território mineiro quase 20 pontos com abundante oferta de energia, para atrair industrias de produtos ou serviços com alto valor agregado para o estado. O modelo é semelhante ao que transformou o nordeste de Portugal, antes uma região decadente, em um ponto nodal das grandes empresas de tecnologia. OA região abriga hoje os imensos prédios, onde estão os super servidores do Google, Amazon, Sun e outras empresas.

Se concluído o projeto elevaria a capacidade competitiva de Minas Gerais a um ponto dificilmente superável.

PLANO DE PRIVATIZAÇÃO AMEAÇA A ECONOMIA DE MINAS

Obviamente uma Cemig privatizada e com o comando (certamente) fora do estado, planos grandiosos de desenvolvimento e de modernização de Minas Gerais serão sumariamente descartados.

Em contrapartida, o estado receberá uns trocados para o seu caixa, em um valor muito abaixo do que vale a companhia (como tem sido a história das privatizações no Brasil), dinheiro que mal será suficiente para uma obrinha ou outra, além de pagar em dia o funcionalismo uns dois anos e depois acaba, sem que os problemas fiscais tenham sido resolvidos.

As privatizações da Cemig e da Copasa vão pesar muito mais no bolso dos mineiros.

Para o consumidor, a nova empresa privada (ou mais provavelmente um cartel, como é o caso da telefonia) vai dar um bom atendimento de uns dois ou três anos (um engana trouxa) e, depois, como ocorre no mundo inteiro, deixará de investir na manutenção e manutenção, penalizando os usuários.

O estado em médio prazo (ou curto, caso a política liberal selvagem continue no comando da economia brasileira) sofrerá acelerada desindustrialização, voltando ao estágio de economia colonial agrária e mineral extrativista, que uma geração de visionários mineiros, como Juscelino Kubitscheck, Benedito Valadares e Milton Campos se empenharam em mudar há um século (e Itamar e Pimentel tentaram retomar recentemente).      

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