Tirar dinheiro da educação para aumentar o orçamento da defesa é um tiro no pé das Forças Armadas

O governo Jair Bolsonaro planeja aumentar o orçamento das Forças Armadas e reduzir o da educação. A proposta elaborada pelo Ministério da Economia prevê que o Ministério da Defesa tenha crescimento de 48,8% no orçamento do ano que vem. Com isso, a pasta iria dos atuais R$ 73 bilhões para R$ 108,56 bilhões. O Ministério da Educação terá redução de R$ 103,1 bilhões para R$ 102,9 bilhões. Além disso, está previsto corte de 18% nas despesas discricionárias em todos os níveis da educação. A matemática de do governo Bolsonaro – que na prática é dirigido por um grupo de generais, que todos os dias prova que é composto por oficiais incompetentes e despreparados – é esdrúxula sob todos os pontos de vista. Aparentemente a proposta visa fortalecer o poder militar do país. Entretanto quem pensa dessa forma está terrivelmente equivocado.

Desde a Guerra Civil dos EUA, o que decide as guerras é o poder industrial e tecnológico, obtido por vigorosos investimentos na educação.

Os analistas modernos da Primeira e da Segunda Guerra Mundial apontam que o fator decisivo nos maiores conflitos da história foi a economia e não o poderio militar. Aliás, o a própria força militar na atualidade depende mais da economia, do que de treinamento, élan, coragem, tática ou estratégia na condução das hostilidades.

O historiador britânico Adam Tooze demostra em suas pesquisas que a Alemanha não tinha grandes chances de vitória ao iniciar a Segunda Guerra Mundial, pois a economia e consequentemente a capacidade industrial da Alemanha, mesmo depois da anexação da Áustria, era bastante inferior à de seus adversários.

Mesmo a França possuía economia, acesso a recursos e base industrial superior à germânica. A derrota do país foi provocada pela velocidade da blitzkrieg, mas também (e talvez principalmente) pela rendição precipitada da liderança gaulesa, quando o país ainda poderia continuar combatendo, segundo os estudiosos do período. Mesmo com a ocupação de sua capital e do nordeste do país, os franceses ainda mantinham grande parte de suas forças intactas, a maioria de suas fábricas estava fora da área invadida e suas comunicações com suas ricas colônias permaneciam desimpedidas.

Provavelmente foi o trauma da Primeira Guerra, quando a população francesa foi a mais sacrificada entre os aliados que prosseguiram no conflito até o final. Dos quase nove milhões de franceses convocados, houve mais de seis milhões de casualidades (termo que se refere à soma de mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros). Para comparar, o Império Britânico também mobilizou quase nove milhões de soldados, tendo pouco mais de três milhões de casualidades. Na Itália, foram 5,6 milhões vestiram o uniforme e as casualidades atingiram pouco mais de dois milhões, Os Estados Unidos alistaram 4,3 milhões de cidadãos, enviaram pouco mais de um milhão para a França e 330 mil casualidades. 

A França foi a principal responsável pela vitória aliada na Primeira Guerra Mundial, mas os grandes sacrifícios exigidos talvez expliquem a rendição para a Alemanha, quando o país ainda tinha condições de combater na Segunda Guerra.

Nos Impérios Centrais, 11 milhões de alemães foram para as forças armadas e o país sofreu pouco mais de sete milhões de casualidades, enquanto a Áustria-Hungria mobilizou 7,8 milhões de efetivos, para lamentar sete milhões de baixas.

O ressentimento pela derrota fez a Alemanha desejar a vingança em outro conflito, porém o sentimento francês era outro e, após as primeiras derrotas – que foram duras, porém de modo algum definitivas – o país desistiu de continuar combatendo, mesmo tendo recursos para isso. Provavelmente a liderança gaulesa imaginava que seria uma guerra curta e logo o mundo voltaria ao normal, tendo a França o custo de algumas reparações financeiras e territoriais.

A história revela que tal não ocorreu e o mundo entrou em um período longo e amargo de lutas, que se estendeu por praticamente todo o planeta.

A própria elite alemã, inclusive os nazistas, esperava que após a derrota dos exércitos combinados da França e do Império Britânico, o parlamento real iniciasse negociações de paz. Havia a expectativa de que as negociações levassem ao status quo de antes da Primeira Guerra Mundial.

Com a recusa britânica de aceitar as negociações propostas pelo governo italiano, a guerra estava irremediavelmente perdida para a Alemanha. As forças germânicas não tinham a capacidade técnica e industrial, para atravessar o Canal da Mancha e o poderio industrial do Império Britânico, com apoio inicialmente velado, depois aberto, dos Estados Unidos começou a desequilibrar a balança, em uma longa e sofrida guerra de atrito. O poderio industrial e naval britânico foi decisivo neste período, como se pode ver nos campos de batalha do Norte da África. Os exércitos reais sofreram derrotas acachapantes para as tropas comandadas pelo brilhante general alemão Erwin Rommel, porém a Império recorreu às sua comunidade e colônias e reforçava continuamente suas forças no Deserto do Saara, enquanto os alemães e italianos eram vítimas da escassez crônica de suprimentos, que os impedia de aproveitar eventuais derrotas. Dessa forma, grande parte da aventura do África Corps alemão na África foi dedicada à Defesa.

Ao destruir a esquadra da França, ancorada na Argélia, a marinha britânica eliminou qualquer possibilidade da Alemanha se apossar dos navios franceses, para atravessar o Canal da Mancha.

Mesmo em uma posição difícil, a liderança nazista decidiu invadir a União Soviética. Para se manter no poder, os nazistas precisavam manter o apoio do povo alemão. Hitler chegara ao poder através do processo democrático em vigor no país e consolidou seu poder recorrendo a determinados artigos da constituição da república. A conivência da elite econômica, militar e conservadora do país permitiu as manobras que levaram os nazistas ao controle do país. Porém, para manter sua posição Hitler e seus seguidores precisavam manter alto apoio e mobilização popular, ou perderiam o apoio das elites.

Uma sofrida guerra de atrito, que iria aos poucos esgotando os recursos do país e trazendo sofrimento para a população, em um conflito que o país não poderia vencer, certamente iria corroer a popularidade dos nazistas.

Provavelmente a decisão de invadir a União Soviética é resultado do temor nazista de perder apoio popular. Contando com uma vitória fácil, as lideranças germânicas esperavam se apossar das imensas fontes de recursos disponíveis no território soviético. Dessa forma, o país seria fortalecido e poderia contornar o bloqueio imposto pela marinha britânica.

Foi um grande equívoco estratégico, que na época não foi percebido. A elite mundial acreditava que URSS era um país atrasado e enfraquecido. Nem mesmo o envio de moderníssimas armas produzidas na União Soviética, para apoiar os republicanos, levou os observadores mundiais a compreender a alta capacidade da indústria pesada do país e a sua modernidade tecnológica. Os tanques de batalha e os primeiros monoplanos inteiramente de metal construídos no mundo, assim como as excelentes armas portáteis, escaparam da atenção dos observadores militares da época. Isso ocorreu provavelmente por dois motivos, primeiro porque os republicanos foram derrotados, depois em decorrência do limitadíssimo apoio enviado por Stalin aos seus aliados espanhóis.

Desta forma, a União Soviética invadida pelos exércitos germânicos não era a presa fácil que a maioria dos observadores ocidentais imaginava. No começo, as forças alemãs conseguiram rápidos progressos, graças à tática da blitzkrieg, ao volume das forças envolvidas e à surpresa. Entretanto, o principal causador das traumáticas derrotas do exército soviético nas etapas iniciais da invasão foi a perseguição movida por Stalin contra os melhores oficiais das forças armadas do país. Milhares de oficiais competentes foram presos e executados, inclusive o Marechal Mikhail Tukhachevsky, o criador de conceitos militares originais, baseados no estilo de guerra dos mongóis, que inspiraram a própria blitzkrieg dos alemães.

Pressionado pelas catastróficas perdas militares, que chegavam a vários milhões de baixas e o aprisionamento de exércitos inteiros, Stalin aceitou trazer de volta muitos oficiais, que estavam sendo punidos em comandos nos confins da Sibéria ou presos em campos de concentração esperando o momento da execução. Um deles, o marechal Konstantin Rokossovsky, conta em suas memórias, que lavava as privadas de sua prisão, quando foi chamado pelos carcereiros e levado a um avião. Ele imaginou que estava sendo conduzido para a sua execução e lamentou não ter trocado as cuecas naquele dia. Para sua surpresa, foi levado ao Kremlin, onde após uma breve reunião com Stalin foi reintegrado ao exército soviético e recebeu o comando do 16º Exército, destacado para o ponto mais perigoso do perímetro de Defesa de Moscou. Com um movimento de envolvimento brilhante, Rokossovsky deteve o avanço das vanguardas germânicas. Sua atuação assegurou tempo e condições para o contra-ataque desfechado por Zukov, que salvou a capital soviética.

A derrota na Batalha de Moscou praticamente decretou o óbito da Alemanha nazista. Logo o poder industrial dos aliados começou a dar fôlego aos soviéticos, que puderam ajudar a suprir as perdas iniciais junto com a poderosa e moderna indústria soviética. Os projetistas e fábricas da URSS lançaram e produziram em massa algumas armas de referência no conflito, entre elas o tanque de batalha médio T 34, que se tornou o paradigma dos equipamentos do seu tipo até hoje; as metralhadoras PPSh-41, que os próprios alemães consideravam superiores às suas armas do tipo; os assustadores lançadores múltiplos de foguetes Katyusha; ou os extraordinários aviões de caça Yakovlev Yak-9, que o esquadrão composto por pilotos franceses que lutou na força aérea soviética, considerava superior a qualquer outro aparelho da época, seja aliado ou do eixo.

Com mais de 84 mil unidades construídas, o T 34 foi considerado o melhor da Segunda Guerra Mundial.

Além da alta qualidade de suas armas, a indústria soviética foi competente para produzir os equipamentos em elevada quantidade. Por exemplo, foram produzidos mais de 84 mil T 34; enquanto o tanque germânico mais numeroso nas batalhas, o Panzer IV não passou de 8.800 unidades. Para comparar, o tanque aliado fabricado em maior número, o M4 Sherman, atingiu 50 mil exemplares. O T 34 é considerado melhor do que qualquer um desses dois modelos.

A mesma equação pode ser aplicada no conflito do Pacífico. O principal estrategista japonês, o almirante Isoroku Yamamoto, nunca acreditou que o Japão pudesse vencer os Estados Unidos em uma guerra prolongada. Sua estratégia consistia em orquestrar rápidos ataques espetaculares e destruidores contra as forças estadunidenses, para forçar Washington a negociar. Seu plano começou a falhar logo no primeiro movimento do jogo que imaginou, que foi o ataque a Pearl Harbor. Yamamoto era um oficial muito à frente do seu tempo e compreendeu a importância dos porta-aviões, em detrimento dos tradicionais encouraçados, nas imensas distancias do Oceano Pacífico. Sua estratégia pretendia destruir toda a frota de porta-aviões da marinha estadunidense, no ataque inicial, porém por um mistério do destino, essas belonaves não estavam ancoradas no porto, quando ocorreu o massacrante ataque nipônico. Com os navios aeródromos preservados, os Estados Unidos puderam prosseguir no conflito e impedir os japoneses de atingir outros objetivos importantes do plano, que eram a instalação de cabeças de ponte na Austrália e Índia Britânica. Isso poderia abalar o Império Britânico, que repleto de problemas na Europa poderiam pressionar Washington a negociar.

Excluída a possibilidade de uma guerra curta, que seria encerrada via negociações, o Japão começou a ser paulatinamente esmagado pelo poderio industrial dos Estados Unidos. Cada porta-aviões perdido pelos japoneses, era um prejuízo irrecuperável; enquanto os Estados Unidos podiam produzir mais de um, para navio destruído, que além disso eram de modelos melhores e mais avançados. No início da guerra, os EUA possuíam seis navios aeródromos, ao final do conflito o país contava com 97 embarcações deste tipo. O Japão não tinha mais nenhum. O Império Britânico operou seis, durante o conflito.

o USS Antietan teve sua quilha batida em 1943 e foi um dos mais de 90 porta aviões que compunham a frota dos EUA, no final da Segunda Guerra Mundial. Enquanto o Japão não tinha condições de substituir seus navios perdidos, os Estados Unidos construíam vários para tomar lugar das belonaves perdidos.

A disparidade industrial entre os Estados Unidos e o então Império Britânico explica, também, porque o domínio dos mares mudou de mãos, como um dos resultados do conflito.

Esta breve história ilustra uma afirmação inquestionável: o poder das nações decorre muito mais da sua economia e do nível de educação, fatores que determinarão a capacidade tecnológica e industrial; do que de variáveis militares. Aliás a variável militar depende totalmente da capacidade econômica, educacional, tecnológica e industrial dos países. Quanto mais fortes forem os estados nestes componentes estruturais, mais poderosos eles serão.

Não é por coincidência que os principais atores geopolíticos no atual momento de transição entre uma ordem unipolar, cuja potência hegemônica é os Estados Unidos, para um mundo multipolar investem vigorosamente nas bases das fontes de poder: educação, indústria e domínio tecnológico.

É o caso da China, Rússia, União Europeia, Japão, Índia e, até mesmo, o Irã. Todos esses centros de poder mantêm estratégias distintas para elevados padrões industriais e tecnológicos, através de robustos investimentos na educação.

Entre as 100 melhores universidades do mundo, a lista é dominada pelos EUA, o que é uma consequência da Segunda Guerra Mundial e da valorização à pesquisa que sempre foi uma característica das elites tradicionais do país, principalmente na Costa Nordeste e Califórnia. Porém há um crescimento persistente na presença de instituições de outros países, principalmente os que procuram se apresentar com players competitivos na ordem mundial que vai surgindo. Assim, na primeira centena de instituições do ranking, considerando as diferentes listas e critérios, há uma média de 21 universidades da União Europeia (já excluindo as britânicas), 11 chinesas (incluindo duas de Hong Kong), quatro do Japão, quatro da Coréia do Sul e uma russa. Nas listas a única escola latino-americana que aparece é a argentina Universidade de Buenos Aires.

Índia e Irã adotam a estratégia inaugurada pelos EUA, Alemanha e Japão (conforme o economista Eduardo Albuquerque), para obter seus respectivos saltos educacionais e tecnológicos: enviam em massa seus jovens para estudar nas melhores universidades do mundo, em programas semelhantes ao extinto Ciências Sem Fronteiras. China e Coreia do Sul também utilizaram a mesma estratégia nas últimas décadas do século 20 e início do milênio atual.

Cada um com sua própria estratégia, estes países avançam no aprimoramento da educação, que é a base para o avanço tecnológico, o fortalecimento da base industrial e da robustez da economia em longo prazo.

O Tejas MK 2 é uma aeronave moderna projetada e construída na Índia. O avião já está incorporado à força aérea do país, enquanto os projetistas indianos desenvolvem ideias ainda mais ambiciosas.

Um dos subprodutos das estratégias que desenvolvem a economia a partir do avanço na educação, para obter o fortalecimento de sua indústria através do domínio de tecnologias cada vez mais inovadoras, é possibilidade de estabelecer uma base de fornecedores de equipamentos militares nacional.

Contar com fornecedores dentro do próprio país evitaria situações como as vividas pela Argentina, na Guerra das Malvinas, ou os Confederados, do sul dos Estados Unidos durante conflito civil, que dividiu a nação, no século 19.

Por solicitação do Reino Unido, os principais fornecedores de armamento para a Argentina, todos aliados dos britânicos na OTAN se recusaram a manter o fornecimento aos portenhos, que ficaram praticamente sem munição e equipamentos. Como quase todo o arsenal argentino era importado e o país não tinha preparo para a fabricação de substitutos, caso as hostilidades prosseguissem a Argentina poderia ter sofrido uma derrota ainda mais contundente.

A fragata Sheffield foi um dos navios britânicos atingidos pelo míssil francês Exorcet. Porém, a Argentina não pode utilizar mais o temível armamento, porque a França se recusou a entregar aparelhos que já tinham sido comprados e desativou o computador de guiagem dos que estavam nos arsenais argentinos.

No caso da Guerra Civil estadunidense, os estados do Norte já possuíam uma próspera base industrial, que foi girada rapidamente para a produção militar. Essa infraestrutura assegurou uma fonte segura dos equipamentos necessários às batalhas contra os aguerridos exércitos do Sul. Os estados confederados, por sua vez, não mantinham uma base industrial relevante e eram obrigados a importar praticamente todos os equipamentos necessários. Quando a União conseguiu fechar o bloqueio naval das rotas de importação do Sul, rapidamente a confederação perdeu a condição de manter forças operacionais no nível necessário para enfrentar os cada vez maiores, bem treinados e equipados exércitos do Norte.

Ao priorizar o orçamento para a Defesa, reduzindo o da educação, o Governo Bolsonaro, que na prática é comandado pelos militares palacianos dá um tiro no pé das próprias forças armadas que a administração bolsonarista diz defender. Em longo prazo compromete as possibilidades de desenvolvimento independente, autônomo e soberano do Brasil, o que manterá o país preso a uma situação subalterna no cenário das nações, com consequências que irão enfraquecer comparativamente a economia nacional, coisa que inevitavelmente terá reflexo no poder militar.

Além de amarrar o Brasil em uma posição de fraqueza econômica relativa, em comparação com os estados nacionais que avançam para se colocar como players de um mundo multipolar, a debilitação da educação limita as possibilidades de avanços tecnológicos relevantes, que são imprescindíveis para ultrapassar o gap tecnológico, que separa a indústria brasileira das mais avançadas do planeta. Isso condena a indústria brasileira a se manter sempre atrasada, com relação aos parques fabris dos países líderes. Desta forma a indústria brasileira nunca poderá produzir equipamentos avançados, mantendo as forças armadas brasileiras em eterna dependência de fornecedores externos, que como descobriu a Argentina não são confiáveis.

O que é mais alarmante ainda é que algumas atitudes do governo bolsonarista, comandado por militares, revelam o que parece ser uma política deliberada para enfraquecer o Brasil. Por exemplo, depois de mais de uma década investindo em programas de aquisição de know-how, para desenvolver uma base militar nacional, com compras de equipamentos sempre associados à transferência de tecnologia e produção local; o Ministério da Defesa voltou a comprar equipamentos obsoletos dos depósitos de sucata de material bélico descartado pelos EUA. Um exemplo é o péssimo blindado de transporte de tropas M 113. Este veículo já era criticado, quando foi lançado. Na Guerra do Vietnã os soldados estadunidenses os chamavam de churrasqueiras, devido à sua fraca blindagem de alumínio e a facilidade em pegar fogo, até mesmo quando atingido por fogo leve. O exército brasileiro desviou recursos que seriam destinados à produção local e desenvolvimento de novas versões dos moderníssimos Guarani, com cumprem melhor as mesmas funções, para comprar os M 113 usados e ultrapassados.

O Brasil retoma uma política que havia sido condenada até por Geisel e a compra de material usado e obsoleto dos Estados Unidos, ao invés de priorizar a produção própria de equipamentos mais modernos. O M 113 já era considerado um equipamento ruim na época do seu lançamento na década de 1960.

Outro caso que merece atenção é o anúncio de que o Ministério da Justiça pretende instalar uma comissão com representantes da pasta, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, nos Estados Unidos, com o objetivo de comprar armas para esses órgãos, segundo a “Folha de São Paulo”. Considerando que as compras se referem a equipamentos que podem ser comprados no país, a ideia reflete o profundo desprezo que o governo Bolsonaro e os militares que o comandam têm pela indústria brasileira. Significa também a falta de apreço pelo próprio país, pois indica que a política que orienta essas pessoas em Brasília é a absoluta submissão do país a uma potência estrangeira, ao ponto de querer fazer as compras mais banais nos EUA, para fortalecer a economia estadunidense, sacrificando a brasileira.

A continuar nesta linha, as Forças Armadas Brasileiras vão comprar até papel higiênico nos EUA.

Neste ambiente nebuloso, a impressão transmitida para o cidadão mais atento é que a garantia de salários de marajás para os militares, enquanto todos os outros servidores públicos são sacrificados, se trata de um cala-boca, para evitar que vozes nacionalistas possam discordar do desmantelamento do Brasil e o afastamento do país da mesa das principais nações.  

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