Forças armadas brasileiras abandonam planos de autossuficiência e retomam compras de sucata obsoleta dos EUA

Brasil volta a comprar sucata obsoleta dos EUA, como o M113, que nem quando novo era considerado um bom blindado. Na Guerra do Vietnã, quando foi lançado era considerado frágil, para defender a tripulação e perigoso, pois pegava fogo facilmente.

Há 18 anos, as forças armadas brasileiras funcionavam em meio expediente, das 13h30min às 18 horas, porque não havia dinheiro nem para comprar o rancho (comida) para a tropa. Manobras nem pensar, pois não existiam combustível, munição, uniformes de campanha, peças de reposição para os equipamentos defeituosos e a maioria dos arsenais estava em péssimas condições, à beira da obsolescência.

Planos de reequipamento, que não incluíam qualquer modernização, eram empurrados com a barriga. Os soldos baixos, como o pagamento de todo o funcionalismo público, causavam insatisfação na caserna e muitos quadros técnicos, preparados com sacrifício financeiro para o país ao longo de décadas, preferiam abandonar a carreira militar. É o caso dos cientistas e técnicos especializados nas tecnologias de construção de submarinos convencionais modernos, que foram capacitados durante anos nas escolas e estaleiros alemães, país de onde o Brasil havia comprado uma moderna frota de submersíveis, no início dos anos 80 (quando os almirantes brasileiros ficaram assustados com o que viram nas Malvinas).

Nesse período, distante pouco menos de duas décadas, a criativa e competente indústria de equipamentos militares, que havia competido com as mais avançadas do mundo, estava praticamente extinta. Projetos notáveis, como o carro de combate principal Osório, considerado por muitos especialistas superior ao Abrams norte-americano, foram abandonados levando ao desperdício de anos de pesquisas.

As forças armadas brasileiras, sob os governos tucanos transformaram-se em uma piada internacional. Quando foram solicitadas para uma atuação internacional, na estabilização do recém-independente Timor Leste, em 1998. O Brasil de FHC teve imensas dificuldades, para equipar e enviar uma tropa de meros 70 militares à antiga colônia portuguesa. Com a incapacidade do Brasil, a maior parte da ação de pacificação acabou ficando sob a responsabilidade da Austrália – provocando danos diplomáticos, culturais e comerciais aos interesses brasileiros.

A situação mudou completamente sob os governos Lula (principalmente) e Dilma, especialmente após a descoberta das maiores reservas comprovadas de petróleo, encontradas nos últimos 50 anos, no mar territorial Brasileiro. No mundo atual as maiores riquezas são o conhecimento e a energia. Na visão dos governos progressistas, a capacidade de defender o imenso potencial energético representado pelo petróleo do pré-sal seria essencial ao futuro do país.

Nos governos petistas, as forças armadas brasileiras fora sendo modernizadas num estilo bem mineiro, sem fazer alarde, para serem posicionadas entre as mais capazes do mundo. Em todas as três forças programas foram retomados e novos projetos começam. A seguir naquela trilha, a capacidade militar do país estaria entre as mais poderosas do planeta.

Os projetos definidos na Estratégia Nacional de Defesa, que integra i Livro Branco de Defesa Nacional, criado no governo Lula, não contemplam simplesmente a compra de equipamentos, como sempre aconteceu, mas a aquisição de conhecimento e tecnologia, capazes de dotar o país de autossuficiência de defesa. Com isso, a indústria militar está sendo estimulada, não só a produzir, como também a absorver e desenvolver tecnologias de ponta.

Essa política beneficiava todos os três ramos da força. Só para citar alguns exemplos, podem ser listadas:

  • as inovações no exército, que recebeu, pela primeira vez, um moderno fuzil de assalto, com tecnologia nacional e uma nova viatura de combate sobre rodas versátil e sintonizada com as tendências atuais, além de radares nacionais e novos sistemas de artilharia de campo;
  • os projetos da marinha previam a construção de corvetas moderníssimas (projeto abandonado), novos barcos de patrulha de alto mar, uma frota de submarinos, que inclui unidades movidas à energia nuclear (o que tornaria o Brasil o sétimo país do mundo a dominar esta tecnologia);
  • um extraordinário salto tecnológico que ocorreu, também, na aeronáutica, com a parceria estabelecida com a SAAB, para o desenvolvimento de caças multipropósito no estado da arte e no lançamento de um cargueiro médio projetado e construído pela Embraer, assim como a maioria dos aviônicos e armas integrados a estas plataformas aéreas.
O projeto nacional das corvetas Barroso e a Marinha vai comprar um barco alemão projetado nos anos 70.

São apenas alguns itens de um vasto programa de modernização, que iriam posicionar as forças armadas brasileiras como uma das 10 mais poderosas do mundo, segundo a revista especializada britânica Jane’s Defence.

Conforme os documentos originais do Livro Branco de Defesa Nacional, o poder militar planejado para o Brasil, nos anos Lula e Dilma se concentrava na defesa dos interesses brasileiros, sem visar o ataque ou intervenções, comuns aos países “ocidentais”, desde os tempos coloniais.

Caso o programa prosseguisse, iria assegurar respeito ao país e às riquezas que pertencem a todos os brasileiros, pois indicariam que seria muito perigosa e dispendiosa qualquer atitude que que fosse além das ameaças, o que contribuiria para a estabilidade política de toda a América do Sul.

Infelizmente, a partir do golpe a política de soberania foi abandonada. A maior parte dos programas de autonomia foi abandonado e os que prosseguem registram imensos atrasos. As forças armadas atualmente, em uma demonstração profunda de subserviência, voltaram a comprar sucata obsoleta dos Estados Unidos.              

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