Trump ou Biden: será que um é melhor do que o outro?

Biden foi à Ucrânia levar apoio e dinheiro para o golpe de estado

Boa parte da esquerda mundial prefere a vitória de Joe Biden nas próximas eleições dos Estados Unidos. Trump é tão tosco e parece exageradamente agressivo, que a rejeição a ele é uma atitude natural das pessoas civilizadas. 

Porém, há fissuras nessa nas linhas de opinião do que a bibliografia define como esquerda. Por exemplo, os chineses sutilmente preferem Trump, apesar da retórica ferozmente agressiva do corretor de imóveis estadunidense contra o país asiático.

A China é a entidade política mais antiga e duradoura da história. Tem mais de 2,5 mil anos de existência. Supera em um milênio a Igreja Católica, que somente foi organizada no século IV, no reinado do Imperador Constantino.

Nos seus milênios de existência, os chineses desenvolveram uma cultura, que continua influenciando seus métodos de governar o país, mesmo depois dos cataclismos dos últimos dois séculos (uma ninharia em quase três mil anos de história). A governança chinesa possui fortes componentes confucionistas.

Seja nas diversas dinastias que foram se sucedendo na história da China, ou na experiência atual, influenciada por conceitos marxistas e keynesianos, o país sempre foi governado por uma burocracia escolhida através de concursos públicos. Essa burocracia, na maior parte da história foi quem governou de fato o país, cabendo ao imperador (com poucas exceções) um papel simbólico.

A burocracia confucionista antiga ou atual sempre teve forte compromisso com o país e preocupação com o seu lugar no mundo. O nome original da China é País do Meio. Isso porque os chineses consideravam a China o centro irradiador da civilização e, portanto, governava o mundo. Coerente com esta concepção da realidade, o Imperador era tratado como “o filho do céu”, porque na tradição chinesa ele governava tudo sob o céu.

Porém, curiosamente, os chineses nunca conceberam conquistar o domínio do mundo através das armas. Tal domínio na concepção dos confucionistas, que traçavam as políticas de governo, ocorreria naturalmente, na medida e que os bárbaros conhecessem e compreendessem a superioridade da cultura chinesa.

Essa idéia foi fortalecida com as várias invasões dos povos das estepes siberianas que o país sofreu. Os invasores sempre adotavam a cultura chinesa, utilizavam a sua estrutura burocrática de governo e se transformavam em uma elite militar achinesada. Aliás, os surtos expansionistas que ocorreram a partir da China, foram iniciativas dessas elites militares – como a tentativa de invasão do Japão por Kublai Khan e a invasão do Vietnã, liderada pela dinastia manchu.

A regra chinesa sempre foi apresentar ao mundo a sua cultura, que eles consideravam superior, via o comercio e as relações diplomáticas. Na diplomacia havia uma regra: no primeiro contato com povos estrangeiros os chineses sempre ofereciam presentes, para demonstrar sua riqueza e nível civilizatório. A ideia era impressionar os interlocutores.

Os chineses continuam utilizando as mesmas regras e esse povo (ainda misterioso em muitos aspectos) avalia de uma maneira surpreendente as eleições estadunidenses.  

Alguns elementos podem ajudar a entender.

Trump é o único presidente dos EUA que não começou nenhuma guerra, desde Nixon. Ele herdou guerras, mas não começou nenhuma. Parece que Trump late, mas não morde.

Biden, ao contrário, ainda quando vice de Obama, esteve participando dos tumultos no Egito, Ucrânia, Síria e outros países. Ele esteve nesses locais e outros, manifestando ativamente o apoio às oposições. Há imagens dele em comícios na Ucrânia e Egito. O apoio era seguido por vultuosas quantias, entregues para organizações de extrema direita ou fundamentalistas. No Brasil, ele veio exigir de Dilma mudanças na legislação do pré-sal, para permitir a participação das empresas estadunidenses e o afastamento dos chineses. Dilma negou. Um mês depois da visita dele explodiram as confusas jornadas de junho de 2013.

Talvez os chineses pensem que, se apenas como vice presidente, Biden se envolveu em tantos episódios que provocaram imensas tragédias, ele poderá fazer muito pior como presidente.

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