ADORO FUTEBOL! Artigo de Marcinho Gomes

Marcio (Marcinho) Gomes*

O consórcio dos governadores do Nordeste inova, ao promover uma perspectiva de governança regional com, por exemplo, promoção de grandes compras conjuntas (para reduzir o dispêndio), e estabelecer políticas setoriais comuns e coordenadas. Me parece que a persistência da Copa Nordeste bebe desta mesma fonte.

Saiu-se melhor o Fortaleza, que converteu todas as suas 4 cobranças, enquanto o Sport errou suas 2 primeiras oportunidades. Mas foi um grande jogo.

Desde 14 de fevereiro não via nenhum jogo oficial. Hoje vi um grande jogo! Tive uma folga nos projetos em que estou envolvido, procurei informações sobre os jogos de hoje, e vi que Sport e Fortaleza disputariam, em Salvador, no Barradão, a partida única entre eles pelas quartas de final da Copa do Nordeste, a ser transmitida pelo YouTube. Resolvi assistir.

A Copa do Nordeste é a única sobrevivente das copas regionais, criadas por “sugestão” da Globo à CBF, em 1997. Juntamente com ela, foram criadas as copas Sul-Minas e NO-CO. Foi ressuscitada, como joia, a Copa Rio-SP. A Copa do Nordeste não foi disputada entre 2004 e 2012, com exceção de 2011. A partir de 2012, foi um evento importante no cenário esportivo nordestino. As demais copas não tiveram, sequer, epitáfio. Nem tudo que viceja no Jardim Botânico prospera no mundo exterior!

O Nordeste passou por um grande processo de modernização. Pelo que me lembro, ele se iniciou nas eleições de 1978, quando os herdeiros dos antigos coronéis, tendo frequentado universidades europeias e americanas importantes, assumiram as representações governamentais e parlamentares dos estados nordestinos com um discurso inovador. Foram implementados alguns programas importantes. 

No entanto, a modernização administrativa praticada pelos donatários não ofereceu respostas aos grandes problemas regionais e foram tragados pela incapacidade de proporem projetos para a região. As lideranças da esquerda compreenderam a importância da afirmação do Nordeste como polo regional, nos anos de governo petista, e se legitimaram para realizarem uma política regional consistente. Hoje, o consórcio dos governadores do Nordeste inova, ao promover uma perspectiva de governança regional com, por exemplo, promoção de grandes compras conjuntas (para reduzir o dispêndio), e estabelecer políticas setoriais comuns e coordenadas. Me parece que a persistência da Copa Nordeste bebe desta mesma fonte.

Mas, voltando ao jogo: do ponto de vista tático, o jogo mostrou jogadores sabendo se portar em campo, em conformidade com os esquemas montados por seus treinadores, respectivamente, Daniel Paulista (que não conhecia) e o ótimo Rogério Ceni (que considero ser um mala competente). Ambos conseguiram fazer com que os seus times tivessem comportamentos estratégicos claramente identificáveis, do início ao fim. O Fortaleza sempre procurando a posse da bola, controlando seu domínio desde o goleiro (jogando como líbero), para ter predominância numérica na saída de bola. O Sport, guardando linhas após o meio de campo, mas sempre procurando o bote fatal, quando avançava em bloco para ter superioridade no campo adversário, em uma situação inesperada. O Sport teve mais gana pela vitória.

Foram inúmeras as chances claras de gol, a maioria do time pernambucano. Os ataques não foram eficientes nas conclusões e, como era jogo único, a classificação foi decidida em pênaltis.

Saiu-se melhor o Fortaleza, que converteu todas as suas 4 cobranças, enquanto o Sport errou suas 2 primeiras oportunidades. Mas foi um grande jogo. Fiquei certo de que uma boa gestão pode fazer os clubes do Nordeste disputarem, no momento, a parte do meio da tabela do campeonato brasileiro. Não quero a espanholização do nosso maior torneio.

Voltando ao tema original, nas semifinais da Copa NE, vão se encontrar Fortaleza e Ceará, que venceu o Vitória. O Ceará também integra o elenco dos times nordestinos que se modernizaram e hoje, saíram da rabeira do campeonato brasileiro. O Estado do Ceará já está representado na final. 

Do outro lado da chave, provavelmente, Bahia ou Santa Cruz estarão na decisão. 

Hoje acreditei que serão jogos apreciáveis.

*Marcinho Gomes é economista e empresário

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