Bolsonaro faz a mais grave agressão à China e ameaça a economia brasileira

A diplomacia do Brasil foi a única do mundo que acompanhou os Estados Unidos em uma provocação aos chineses. Washington apresentou uma proposta, para revogar o status da China, como país em desenvolvimento. Essa condição foi definida para os países que enfrentaram décadas ou, até mesmo, séculos de exploração colonialista e imperialista, o que prejudicou o seu desenvolvimento. O status é uma compensação ética a esses países, que foram duramente espoliados de suas riquezas. O Brasil também mantinha essa vantagem competitiva, porém o governo Bolsonaro abriu mão, sem nenhuma contrapartida.

China acredita que Trump blefa, mas se prepara para o pior cenário.

O Brasil mantinha uma relação de ganha-ganha com a China no plano macro da economia. Os brasileiros exportam comodities e os chineses mandavam de volta produtos industrializados. A balança comercial ainda é favorável ao Brasil, pois os bens manufaturados vêm também de outros países, como Japão, Coréia do Sul, Taiwan e Europa, principalmente.

É um bom arranjo que tem no grande país asiático o maior destino das exportações brasileiras. A balança comercial não é ainda mais favorável ao Brasil, devido à tibieza do empresariado nacional, que preferiu renunciar a suas fábricas, para produzir e maquiar seus produtos na China. Este é um dos fatores principais da desindustrialização do país.

Sem a China, amplos setores da economia brasileira sofrerão um choque violento, com consequências imprevisíveis, pois não há substituto para a China.

Mesmo assim, o irresponsável governo Bolsonaro, na sua política de submissão aos Estados Unidos, produz afrontas quase diárias ao maior parceiro comercial do Brasil. A última agressão gratuita do governo Bolsonaro à China.

A diplomacia do Brasil foi a única do mundo que acompanhou os Estados Unidos em uma atitude que visa ser meramente um ato de provocação aos chineses. Washington apresentou uma proposta, que foi apoiada inconsequentemente por Brasília na OMC, na qual é exigido que o princípio de economia de mercado deva valer para todos os membros da organização, a fim de garantir condições equitativas de competição econômica no comércio internacional. A China, como vários outros países do mundo mantém o status de país em desenvolvimento, o que os EUA não aceitam. O Brasil também tinha a mesma classificação como país em desenvolvimento, como também, por exemplo, a Índia. Essa condição foi definida para determinados países que enfrentaram décadas ou, até mesmo, séculos de exploração colonialista ou imperialista, o que prejudicou sua marcha para o desenvolvimento. O status que assegura alguns privilégios é uma compensação ética a esses países, que foram duramente espoliados de suas riquezas. O governo Bolsonaro irresponsavelmente abriu mão dessa vantagem, sem nenhuma contrapartida.

Ao abrir mão do status especial na OMC, a diplomacia controlada por Bolsonaro, através de um chanceler olavista, dá a impressão de trabalhar contra o Brasil.

As provocações dos Estados Unidos à China têm aumentado nas últimas semanas. Além da agressão na OMC, há o fechamento súbito do consulado em Houston, capital do Texas, e perigosas manobras de uma frota estadunidense, combinada com forças tarefas da Índia, Japão e outros países da região.

Desde Reagan todo presidente dos EUA tem uma guerra para chamar de sua

O aumento intencional da tensão é explicado por uma tradição dos Estados Unidos, desde Ronald Reagan: quando estão sob ameaça de perder eleições, os presidentes dos EUA, provocam uma guerra.

Reagan mandou invadir a minúscula ilha de Granada e começou a tradição. Desde então, todo presidente estadunidense teve uma guerra para chamar de sua.

Trump está em péssima situação política. Aliados do presidente estão abandonando o barco. Ontem, a secretária-assistente para Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, Mary Elizabeth Taylor, pediu demissão, alegando que “os comentários do presidente sobre a injustiça racial nos EUA e a respeito dos afro-americanos se chocam com os valores e convicções dela”.

As pesquisas eleitorais indicam a popularidade de Trump em queda livre, inclusive em estados onde os republicanos têm tradição de vencer, como no Texas. Na terra de Marlboro, o Texas, Trump está empatado na intenção de votos com Joe Biden, seu adversário – 45,4%, para o republicano; enquanto o democrata chegou a 45,2%,

Há um barril de algo muito mais potente do que pólvora, que pode explodir a qualquer momento, no Mar do Sul da China. Os chineses são observadores cuidadosos dos acontecimentos históricos e constataram que entre as causas da derrota de alemães e japoneses, na Segunda Guerra Mundial, foi a carência de materiais estratégicos e energia desses dois países. A China, apesar do seu imenso território, é pobre em minério de ferro e petróleo. Pela geologia da região, há indícios de que abaixo do fundo do Mar da China, há imensas reservas de petróleo. É um estoque que pode tornar o país independente de importações.

Para assegurar o controle do local, o governo chinês recorre a tradições históricas do período imperial e, também, aos acordos feitos após a vitória dos comunistas na guerra civil, em 1949.

Países vizinhos questionam os argumentos chineses e, também, reivindicam partes da região. Os Estados Unidos aproveitam a disputa, que não lhes diz respeito, para esquentar a temperatura naquele disputado pedaço do Globo.

A deterioração das relações entre a Índia e a China, causada pela disputa por um remoto e estéril pedaço de terra no alto do Himalaia, foi mais um motivo para os Estados Unidos aumentarem o grau de provocação. A disputa vem de assuntos mal resolvidos, no período imperial britânico, quando a Índia, ou o Raj Indiano, era a principal joia da coroa do Império Britânico.

A diplomacia russa tenta esfriar a tensão, enquanto os EUA tentam instigar a Índia, atualmente governada por um partido nacionalista radical, a enfrentar a China e entrar no seu campo de alianças.

Neste cenário, observadores internacionais, inclusive chineses e russos, acreditam que Trump não vai além das bravatas, desta forma há sinais de que as chancelarias dos dois países preferem a vitória de Trump nas próximas eleições estadunidenses.

Por quê? Não sei. Provavelmente porque consideram Trump incompetente e isso arrefece o ímpeto imperial dos Estados Unidos.

Visita de Biden iniciou o golpe

De fato, sempre é bom lembrar, que o sinal para iniciar os eventos que levaram ao golpe contra a democracia brasileira foi a visita de Joe Biden ao Brasil, para pedir a participação das multinacionais estadunidenses no pré-sal e o afastamento dos chineses.

Há quem diga que no fundo, Trump é um outsider inofensivo e que Biden, sim, é perigoso, pois representa de fato o deep state imperial dos Estados Unidos.

Quanto às estrepolias de Bolsonaro contra a China, como serviçal de Trump, ao que parece, o assunto será tratado com a milenar calma chinesa.

Marcus Vinícius Freitas, professor de Direito Internacional Público e de Relações Internacionais da Universidade de Relações Exteriores da China, em entrevista à Sputnik Brasil, disse que os chineses são pragmáticos,  o que faz com que tenham uma visão de longo prazo, e é ela que faz com que eles compreendam que o relacionamento não é entre governos, mas sim entre países.

“Então a administração atual eventualmente chegará ao fim, daqui a dois anos ou seis anos [em caso de reeleição], mas esse relacionamento é com o país. Entendo que os chineses efetivamente não modificarão muito a sua política em razão desse pragmatismo de longo prazo […]. A retaliação pode acontecer, mas ela vai levar em consideração a transitoriedade dos governos e a compreensão que o relacionamento bilateral é mais importante do que a administração atual”, acrescentou.

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