UNIÃO EUROPEIA: Líderes da UE chegam a acordo histórico de 1,8 trilhões de Euros para recuperação pós-pandemia

Europeus estabelecem um acordo, que posiciona o bloco entre as entidades políticas mais preparadas para sair na liderança mundial, na recuperação econômica pós pandemia.

Com informações da DW, EFE e agência estatal da China

Finalmente, foi anunciado um acordo sem precedentes de 1,82 trilhão de euros (US$ 2,1 trilhões) para enfrentar a pior recessão da história da UE. Elogiando as conversações da maratona que terminaram com sucesso, o presidente do Conselho Europeu Charles Michel disse que o acordo envia um sinal concreto de que a Europa é uma força de ação. “A Europa como um todo tem agora uma grande chance de sair mais forte da crise”, disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. “Temos muito trabalho pela frente, mas esta noite representa um grande passo para a recuperação”, acrescentou ela.

O presidente francês Emmanuel Macron (E) tira fotos com seu smartphone de documentos segurados pela chanceler Angela Merkel (D) durante a cúpula , em Bruxelas em 20 de lulho de 2020, quando líderes União europeia realizaram seu primeiro encontro de alto nível face-a-face, para discutir um plano para a recuperação pós pandemia do COVID19. (Photo by JOHN THYS / POOL / AFP)

QUEM PERDE E GANHA NA PÓS PANDEMIA

A pandemia vai provocar grandes perdas. É diferente das guerras mundiais, quando muitos perderam, enquanto outros ganharam com os conflitos. Por exemplo, a Primeira Guerra foi o fim do mundo para a Europa, entretanto a Argentina enriqueceu como um fornecedor global de comida. Na, Segunda Guerra Mundial um fenômeno semelhante ocorreu, desta vez com o Brasil, que se consolidou como um dos maiores exportadores de comodities. Na pandemia do COVID19 é diferente. Agora todo mundo perde. Para sair do abismo, é evidente para os pesquisadores e os observadores mais atentos, que será preciso colaboração, solidariedade e centralização. Seria fabuloso o estabelecimento da solidariedade global.

Como isso não vai ocorrer, algumas estruturas políticas sairão da pandemia em melhor situação do que outras. O Brasil, infelizmente, ao que tudo indica ficará muito mal. Não há solidariedade e nem centralização para gerar colaboração. O que está sendo estimulado no país é a barbárie: cada um por si. Nos grandes países do mundo são observadas estratégias distintas. Os EUA, tragicamente, estão em uma situação bastante precária, confusa e parecida com a do Brasil. A Índia, governada por um partido arcaico e ultranacionalista, prioriza conflitos inúteis contra o Paquistão e a China. Rússia e China, talvez pela centralização dos seus governos (assunto que não cabe o mérito no momento), estão aparentemente vencendo a pandemia e preparando suas bases econômicas para a recuperação.

Outra grande estrutura política é a Europa. Se fosse um país, de acordo com a regra que define os estados mais promissores do planeta para os próximos séculos – economia forte, grande população e amplo território – a União Europeia passaria a ser um player político muito mais importante. Os euro-centristas sempre viram travado o projeto concebido por estadistas visionários, nos anos de 1950, que pretendiam transformar a colcha de retalhos de nações do velho continente em um estado único.

Além dos pequenos estados barulhentos que vieram do defunto campo soviético, o Reino Unido sempre vacilou em aderir a uma Europa Unificada – o que provavelmente é resultado de uma aflição estrutural, que adoece as elites do país desde a humilhação de 1956, quando forças militares britânicas tentaram ocupar o Canal do Suez e foram impedidas pelos EUA e Rússia. Ao perceber com crueza a fraqueza do antigo império no pós guerra, parte das lideranças britânicas passou a rever o lugar de seu país no cenário internacional. Muitos avaliaram que o melhor seria levar o Reino Unido a se integrar aos Estados Unidos. Desde então, o país vive uma crise não explicitada publicamente, porém presente na sua psicologia social: ser parte da Europa ou pertencer aos Estados Unidos.

A saída do Reino Unido parece que fez bem para a União Europeia. Embora em negociações difíceis e demoradas, os europeus conseguiram em tempo hábil superar as suas divergências, para estabelecer as bases para um comportamento centralizado em várias questões, especialmente na saúde, economia e proteção social, que são características de um país.

O impacto disso para a humanidade é impossível de prever. Mas o acordo parece ser extremamente alentador para os europeus, principalmente os que vivem em países que integram a União Europeia. O acordo que assegura a atuação centralizada e colaborativa, vencendo fundamentalismo político e econômico, para assegurar um plano robusto de combate à pandemia e de recuperação da economia, que prevê soluções ousadas e solidárias.

Plano prevê investimentos no clima e na tecnologia da informação

Ao aprovar o pacote de mais de 1,8 trilhão de euros (R$ 11 trilhões, mais que o PIB anual do Brasil), o Conselho Europeu mobilizou recursos inéditos para um projeto geopolítico e econômico de transformar o bloco em liderança na economia verde e em digitalização.

Após mais de 90 horas de tensas negociações, chefes de Estado e de governo concordam com fundo de ajuda histórico de € 750 bilhões, divididos em subsídios e empréstimos, para minimizar impactos da covid-19 sobre o bloco.

Os 27 chefes de Estado e de governo da União Europeia (UE) chegaram a um acordo na madrugada desta terça-feira (21/07) sobre um pacote de recuperação multibilionário pós-pandemia. A polemica principal foi sobre os 750 bilhões de Euros para ajuda direta aos países membros. Os líderes concordaram em disponibilizar 390 bilhões de euros do fundo de ajuda, como subsídio não reembolsável, destravando assim um dos principais impasses para a aprovação do plano e do orçamento de longo prazo para a economia do bloco.  Os restantes 360 bilhões de euros serão ofertados em forma de empréstimos.

O valor é um meio termo entre a ambiciosa proposta defendida por Alemanha e França, que previa subsídios de 500 bilhões de euros, a proposta da Espanha e Portugal, que reivindicavam 390 bi, e o plano defendido pela Holanda, Áustria, Dinamarca, Suécia e Finlândia, chamados de os “cinco frugais”, que desejavam que as parcelas de subsídios fossem menores, 350 bi, e as de empréstimos, maiores. Prováveis receptores, como Itália, Espanha, Grécia e Hungria, rejeitavam esse modelo.

“Nunca a União Europeia decidiu investir de uma forma tão ambiciosa no futuro”, disse a primeira-ministra belga Sophie Wilmès na mesma rede social

O tamanho do fundo de ajuda era o principal ponto de discórdia nas negociações da cúpula, que se estendeu por 90 horas e foi a mais longa do bloco desde o ano 2000. Inicialmente planejado para sábado e domingo, o encontro em Bruxelas só terminou às 5:30 desta terça-feira (horário de Bruxelas), minutos depois de os chefes de Estado e de governo terem retomado os trabalhos formais.

Logo após a decisão, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, tuitou uma breve mensagem: “Acordo!” Para ele, trata-se de “um acordo forte”, que mostra que a Europa está “sólida”. “Conseguimos. A Europa está forte, a Europa está unida”, disse Michel em coletiva de imprensa após a aprovação.

“Demonstramos responsabilidade coletiva e solidariedade e [mostramos] que acreditamos no nosso futuro comum”, acrescentou, ressaltando que o acordo vai muito além do dinheiro. “É sobre famílias e trabalhadores, os seus empregos e a sua saúde e bem-estar.”

Os líderes dos 27 países-membros também deliberam sobre o orçamento de longo prazo da UE, para o período de 2021 a 2027, que totaliza cerca de 1,1 trilhão de euros. Foi o primeiro encontro dos mandatários europeus cara a cara desde que a pandemia de covid-19 foi declarada, em março.

O bloco enfrenta a pior recessão de todos os tempos, e os países precisam de dinheiro rapidamente para sustentar suas economias abaladas pela crise do coronavírus. Estima-se que a economia do bloco sofra uma contração de 8,3% neste ano, segundo as últimas previsões.

Europeus fortalecem mecanismos políticos e econômicos do bloco

Os países também fortaleceram o papel da Comissão Europeia (Poder Executivo da UE), ao autorizar pela primeira vez na história que ela faça um empréstimo em nome de seus membros. O valor autorizado (750 bilhões de euros ou R$ 4,6 trilhões) é maior que o PIB anual da Suíça ou da Argentina).

O impasse nas negociações levou a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, a afirmar no domingo que os líderes do bloco poderiam não chegar a um acordo sobre o plano de recuperação. A declaração foi dada após as tensões aumentaram na noite de sábado, quando a líder alemã e o presidente da França, Emmanuel Macron, se levantaram e saíram de uma reunião. A aliança franco-alemã é vista como vital para qualquer grande acordo dentro do bloco de 27 países.

Merkel descreveu o acordo como um “sinal importante” e disse estar “muito aliviada” com a cooperação entre os líderes da UE. “Não foi fácil”, disse a chanceler federal. “Conseguimos um bom resultado e fico muito feliz com isso.”

O presidente francês, Emmanuel Macron, falou em um “dia histórico para a Europa”. “Não existe um mundo perfeito, mas fizemos progressos”, declarou Macron.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, agradeceu a Merkel por “orientar” as negociações em direção a uma solução e disse que a Europa pode sair da crise ainda mais forte. “Esta noite é um grande passo em direção à recuperação”, afirmou Von der Leyen.

O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, um dos principais rostos dos “frugais”, declarou estar “bastante satisfeito” com o acordo. “Conseguimos alcançar um bom resultado para a UE e a Áustria”, escreveu em sua conta oficial no Twitter, terminando a mensagem com um agradecimento “a todos os colegas, especialmente os frugais”.

A parcela concedida via empréstimos terá juros abaixo do sistema bancário

A divisão inicial, que destinava 500 bilhões de euros (dois terços do total) para programas a fundo perdido, porém encontrou oposição da Holanda, Dinamarca, Suécia e Áustria, com apoio relutante da Finlândia. Feito o compromisso, essa parcela caiu para 52% do total, ou 390 bilhões de euros. Os 360 bilhões de euros restantes ficarão disponíveis para empréstimos a países que não conseguirem juros menores no mercado internacional (11 dos 27 membros, segundo cálculos da Comissão).

Do lado dos países que mais devem ser beneficiados, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chamou o pacote de “plano Marshall para a Europa”. A Espanha deve receber 140 bilhões de euros nos próximos seis anos.

O acordo também agradou à Itália, que deve receber 209 bilhões de euros (81 bilhões em subsídios e 127 bilhões em empréstimos). “Estamos satisfeitos com a aprovação de um ambicioso plano de relançamento, que nos permitirá enfrentar a crise com força e eficácia”, afirmou o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

A Grécia, que deve receber 72 bilhões de euros, prometeu que os fundos serão usados ​​cuidadosamente, sob um planejamento meticuloso. “Não temos a intenção de desperdiçar esse importante capital europeu à nossa disposição. Vamos investi-lo em benefício de todos os gregos”, afirmou o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis.

O acordo condiciona o recebimento da ajuda ao respeito ao Estado de direito, o que preocupa especialmente Hungria e a Polônia, que são alvos de investigação da Comissão Europeia por supostas violações de princípios democráticos.

LE/CN/dpa/lusa/afp/ap/rtr

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