Seminários secretos de Chicago desenvolveram técnicas de controle da opinião pública

Harold Lasswell, sociólogo, um dos pesquisadores influentes nos ambientes governamentais e empresariais norte-americanos, também possui uma visão torta da democracia. Como Lippmann e Bernays, ele é convicto de que um governo com decisões mais importantes tomadas pelo povo, não poderia se sustentar. O sociólogo defendia a necessidade de uma “elite especializada”, para moldar a opinião pública através da propaganda.

Para Lasswell, uma “elite especializada”, deveria moldar a opinião pública através da propaganda, para “salvar a democracia”

Em sua “Enciclopédia das Ciências Sociais”, Lasswell explicou que quando as elites não têm a força necessária para obrigar a obediência, os gestores sociais devem se voltar para uma nova técnica de controle, que recorria à utilização intensa da propaganda. De acordo com o cientista político, é preciso reconhecer a “ignorância e estupidez” das massas e não sucumbir à dogmatismos democráticos sobre os homens serem os melhores juízes de seus próprios interesses.

Lasswell foi um dos principais mentores dos seminários secretos, organizados pela Fundação Rockfeller, na Universidade de Chicago, entre 1939 e 1940. O tema da série de eventos foi o debate sobre o controle da opinião pública, através da comunicação.

Seus estudos sugerem formas de construir os discursos, que serão apresentados através dos diferentes meios de comunicação e da indústria cultural, para levar a opinião pública em uma determinada direção. Segundo o pesquisador, estes discursos – apresentados de forma oral, cinematográfica ou simbólica – devem ser pontuados pela repetição frequente de certos símbolos (ou ideias força), de forma a que aquele conceito seja impregnado na mente coletiva. Por exemplo, a repetição da palavra crise em uma determinada sociedade, pode levar a população a acreditar que há grandes problemas, mesmo que o ambiente seja perfeitamente estável. A narrativa incessante na mídia brasileira da falência da Petrobrás, quando a empresa era a sexta corporação do mundo, de acordo com a Forbes é um exemplo.

Essa concepção da repetição de símbolos era aplicada a partir de um padrão de discurso no qual se deve olhar para quem produziu o produto de comunicação, ou as pessoas que ordenaram sua criação, a quem é destinada, o público alvo, e quais são os efeitos desejados deste produto – informar, convencer, vender, educar ou outro – sobre a sociedade em geral. Sinteticamente: Quem (diz), o que, (a) quem, (em) que canal, (com) que efeito.

Usando uma notícia sobre a Petrobrás no Jornal Nacional, como exemplo, a análise seria a seguinte: QUEM PRODUZIU: coligação golpista; O QUE: notícia sobre falência da Petrobrás; A QUEM: aos brasileiros entre 16 a 60 anos; QUE CANAL: emissoras de TV abertas, centralizadas na Globo, em rede nacional; QUAL O EFEITO: convencer o eleitorado de a empresa está quebrando, porque que há corrupção e má gestão e o responsável é o PT.

No plano mundial, é uma boa questão perguntar por que todos os filmes de grandes bilheterias mundiais, são todos produzidos em Hollywood (ou com participação dos grandes estúdios hollywoodianos) e por qual motivo eles são tão parecidos. Embora com temáticas variadas, a estética é semelhante, a estrutura narrativa é muito parecida, o ritmo acelerado é dominante e o padrão moral vende absolutamente os mesmos conceitos.

Existe inclusive uma técnica por traz do estilo hollywoodiano, que foi sistematizada pelo antropólogo estadunidense Joseph Campbell. O estudioso dos EUA pesquisou milhares de mitos produzidos por diferentes culturas e percebeu um padrão de similaridade entre eles, que ele definiu como a “jornada do herói”. O padrão identificado por Campbell, que ele denominou de “monomito”, segundo o antropólogo está presente, por exemplo nas histórias de Buda, Moisés, Cristo e Aquiles, Herói da Ilíada, do grego Homero. Este padrão é utilizado na maioria das obras literárias, cinematográficas e, até, as reportagens jornalísticas, que compõem a cultura de massas produzida, principalmente nos Estados Unidos e Reino Unido. O pioneiro foi o roteiro de Guerra nas Estrelas, escrito por George Lulas.

Campbell pesquisou milhares de mitos clássicos, como as histórias de Buda, Cristo e Ulisses e percebeu um padrão presente em todos eles

Nos Estados Unidos, a fórmula de Lasswell foi aplicada através de uma violenta concentração dos meios de comunicação sob o controle de pouquíssimos grupos. Os poucos grupos resultantes das fusões são coordenados facilmente pela elite do país. Veja o quadro abaixo, estes grupos produzem conteúdo para quase 80% da comunicação mundial. Com apenas alguns telefonemas é possível organizar um poderoso agendamento da informação, que significa definir quais as notícias deverão ser apresentadas ao público, como e para que.

Concentração da mídia nos EUA

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