Lippmann e a fabricação do consenso

Walter Lippmann, o fabricante de presidentes

A Partir do início do Século 20, Uma Série de teóricos norte-americanos se dedicou a estudar o fenômeno da Comunicação de Massas e da Opinião Pública. Um dos pioneiros foi Walter Lippmann. Graduado em Harvard, teve contato com alguns dos intelectuais mais importantes da sua época, como os filósofos George Santayana e William James, além do cientista social britânico Graham Wallas. Depois de sair da universidade, trabalhou em algumas das publicações mais influentes de seu País, em uma trajetória que começou pelos veículos liberais, até chegar, no final de sua carreira, em jornais e revistas conservadores.

Durante sua trajetória formulou alguns conceitos sobre a Comunicação de Massas e a Opinião Pública. No seu livro mais conhecido, “A Opinião Pública”, de 1922, Lippmann descreve as massas como uma “grande besta” ou um “rebanho desnorteado”, que precisa ser guiado pela classe governante, constituída pela elite. A mídia de massas – composta pelos meios de comunicação, a propaganda e a Indústria cultural (cinemas, séries de TV, novelas, shows, teatro, jogos etc.) – é o Instrumento utilizado pela elite para governar o público sem o alto custo (financeiro, moral e político) da coerção física. Segundo o teórico norte-americano, a função da mídia de massa é “fabricar o Consentimento”, que é, em suma, a manipulação da opinião pública, para que a população aceite a agenda da elite. Ele acredita que o público em geral não é qualificado racionalmente, para decidir sobre questões importantes. Portanto, é preciso que a elite assuma a responsabilidade de decidir o que é melhor para todos e, depois, vender sua decisão às massas.

Lippmann foi um dos fundadores do Council on Foreign Relations (CFR – Conselho de Relações Estrangeiras), o “think tank” de formulação de ideias sobre política externa mais influente do mundo. Segundo o pesquisador Steve Jacobson, da Escola de Comunicação da Universidade de Boston, o “poder político e econômico nos EUA está concentrada nas mãos de uma pequena elite, no controle da maioria das empresas multinacionais, principais meios de comunicação, fundações mais influentes, prestigiosas universidades privadas e a maioria dos serviços de utilidade pública”. Representantes dessas Instituições, incluindo Lippmann, fundaram em 1921, o CFR, que se tornou o elo fundamental entre as grandes corporações e o governo federal. O conselho é reconhecido como “escola de estadistas” e, de acordo com C. Wright Mills (professor de sociologia das universidades de Maryland e Columbia), reúne a elite do poder – um grupo de pessoas poderosíssimas, com interesses semelhantes e a intenção de moldar os eventos mundiais, a partir de posições invulneráveis e Invisíveis nos bastidores.

Todos os presidentes dos EUA, com exceção de Reagan e Trump, foram membros do Conselho de Relações Exteriores, um dos principais “think tanks” do mundo.

As Nações Unidas foram criadas a partir das estratégias do CFR, bem como o Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial. Entre seus membros atuais, o CFR conta com David Rockefeller, Dick Cheney, Barack Obama, Hilary Clinton, o influente pastor Rick Warren e os CEOs de grandes empresas, como a CBS, Nike, Coca-Cola e Visa. Todos os presidentes norte-americanos, desde Franklin Delano Roosevelt, pertenceram ao “clube”, com exceção de Ronald Reagan – mas toda a equipe do ex-ator de Hollywood pertencia a esta turma, como, por exemplo, Dick Cheney e Donald Rumsfeld. Certamente esses senhores não se encontram no CFR para tomar um inocente chá das cinco e conversar sobre o resultado do basebol.

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